Obama participará de culto ecumênico em Newtown

A Casa Branca anunciou que o presidente dos EUA, Barack Obama, participará de um ato ecumênico em Newtown (Connecticut) na noite deste domingo, para lembrar as vítimas do massacre ocorrido em uma escola da cidade na última sexta-feira. De acordo com a Casa Branca, Obama vai visitar privadamente algumas das famílias das vítimas, 20 crianças de 6 a 7 anos de idade e seis adultos mortos a tiros dentro de uma escola local. Depois disso, o presidente deverá fazer um discurso durante o ato ecumênico em memória das vítimas.

Agência Estado

16 de dezembro de 2012 | 19h25

Esta será a quarta visita do presidente a cidades onde aconteceram massacres. Em julho deste ano, Obama esteve em Aurora (Colorado), onde um homem havia matado 12 pessoas em um cinema. Em janeiro de 2011, ele foi a Tucson (Arizona), onde um atirador havia matado seis pessoas e ferido outras 13, entre elas a deputada federam Gabrielle Giffords. Em novembro de 2009, Obama visitou Fort Hood (Texas), para discursar em um serviço religioso memorial por 13 militares que haviam sido mortos por um soldado.

No sábado, em seu discurso semanal pelo rádio, o presidente pediu "ações significativas" para evitar a repetição de crimes como esse, mas não deu detalhes sobre quais seriam essas medidas.

"O tempo para dizer que não podemos falar sobre as implicações políticas de tragédias como esta acabou", afirmou o deputado federal e senador eleito Chris Murphy (Partido Democrata-Connecticut). Ele e outros membros do Congresso disseram que são favoráveis à proibição da venda de armas automáticas de assalto como o fuzil Bushmaster 223 usado por Adam Lanza para cometer o massacre da sexta-feira.

Já a senadora Dianne Feinstein (Democrata-Califórnia) disse que vai apresentar em 2013 um projeto de lei proibindo a venda de pentes de munição com capacidade para mais de dez balas. Segundo ela, o presidente Barack Obama e os congressistas do partido Democrata não pressionaram por novas leis de controle de armas até agora por causa do poderoso lobby pró-armas da Associação Nacional do Rifle (NRA).

O senador Joseph Lieberman (sem partido-Connecticut) disse apoiar essa iniciativa e defendeu a criação de uma comissão nacional que estude as leis de controle de armas e suas brechas, o sistema nacional de saúde mental dos EUA e o papel que filmes e videogames violentos desempenham em tiroteios. "Vamos continuar a ouvir os gritos dessas crianças e a ver seu sangue até fazermos alguma coisa para tentar impedir que isso aconteça novamente", disse Lieberman.

O senador Dick Durbin (Democrata-Illinois) afirmou que apoia a criação da comissão. "O discurso em Washington tem sido dominado, vocês sabem e eu sei, por lobbies da indústria de armas que têm uma agenda. Precisamos que gente, americanos comuns, se unam e falem. Que se sentem e reflitam sobre até onde queremos ir", disse o senador.

Já os defensores das vendas de armas sem nenhum controle evitaram aparecer em público neste fim de semana. O jornalista David Gregory, apresentador do programa de entrevistas Meet the Press, da rede NBC, disse que convidou todos os 31 senadores conhecidos como pró-armas a aparecerem em seu programa neste domingo, e que todos eles recusaram. Bob Schieffer, apresentador do programa Face the Nation, da rede

CBS, disse que todos os membros do Partido Republicano que são membros do Comitê de Justiça do Senado disseram não estar disponíveis para aparecer em seu programa.

O único representante do lobby pró-armas a falar em público neste fim de semana foi o deputado federal Louie Gohmert (Partido Republicano-Texas), no programa Fox News Sunday, da rede conservadora Fox News. Em entrevista, ele defendeu a continuidade das vendas de armas automáticas de assalto e disse que a diretora da Escola Elementar Sandy Hook, que morreu ao tentar desarmar o jovem que estava matando as crianças, deveria ela mesma estar armada.

"Eu gostaria, por Deus, que ela tivesse um fuzil de assalto M-4 em sua sala, de modo que quando ela ouvisse o tiroteio, pegasse a arma e não tivesse de se atirar heroicamente contra o atirador sem nada nas mãos. Ela estouraria a cabeça dele antes que ele pudesse matar aquelas crianças preciosas", disse Gohmert. "A verdade é que toda vez que armas são permitidas, em todo lugar onde a lei permite que as pessoas levem armas escondidas, a criminalidade diminuiu", acrescentou o deputado.

Essa afirmação é contestada pelos defensores de mais controles sobre as vendas de armas. Um estudo recente do Centro legal para Prevenir Violência com Armas, da Califórnia, determinou que sete dos dez estados norte-americanos com as leis mais restritivas sobre controle de armas (entre eles Connecticut, Califórnia e Massachusetts) também são os dez com as menores taxas de mortalidade causada por armas. (AP)

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