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Obama pede a China que liberte dissidente vencedor do Nobel

Presidente diz que reforma política não acompanhou progresso econômico chinês

BBC Brasil, BBC

08 de outubro de 2010 | 18h06

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, pediu nesta sexta-feira, 9, que a China liberte o mais rápido possível o ativista de direitos humanos e dissidente Lu Xiaobo, ganhador do Prêmio Nobel da Paz de 2010.

Veja também:

lista Perfil: Liu Xiaobo, ativista chinês

Obama disse que a reforma política na China não acompanhou o grande progresso econômico do país, que tirou milhões de pessoas da pobreza.

O presidente americano ainda afirmou que Liu "sacrificou sua liberdade por suas crenças".

O presidente da Comissão Europeia (órgão executivo da União Europeia), José Manuel Durão Barroso, disse que a decisão de conceder o Nobel da Paz ao dissidente chinês enviava uma mensagem forte a todos no mundo que lutam pela liberdade e pelos direitos humanos.

Outro ganhador do prêmio Nobel da Paz, o líder espiritual tibetano Dalai Lama, considerado subversivo pelo governo chinês, afirmou que o prêmio era o reconhecimento pela comunidade internacional das vozes da China, que estão cada vez mais pressionando por reformas políticas e constitucionais.

A alta comissária da ONU para Direitos Humanos, Navi Pillay, afirmou que o Nobel da Paz para Liu reconhece um "defensor dos direitos humanos muito proeminente".

Leia o perfil da Liu Xiaobo

'Criminoso'

A China declarou que Liu Xiaobo, ganhador do Prêmio Nobel da Paz de 2010, é um "criminoso" e que as relações bilaterais com a Noruega, país que concede o prêmio, serão prejudicadas.

O prêmio foi anunciado nesta sexta-feira em Oslo, capital norueguesa. O presidente da Fundação Nobel, Thorbjorn Jagland, afirmou que Liu foi premiado por 20 anos de "luta longa e não-violenta" pela democracia no seu país.

 

"Liu é um criminoso que violou a lei chinesa", disse o porta-voz do Ministério do Exterior chinês, Ma Zhaoxu. "O fato do comitê dar o prêmio para tal pessoa também rebaixa o prêmio em si".

 

"Nos últimos anos, a relação entre China e Noruega manteve franco desenvolvimento, o que contribui para os dois países e os dois povos", afirmou o porta-voz. "(O prêmio) vai contra o princípio do Nobel da Paz e trará danos para as relações bilaterais (entre China e Noruega)".

 

O representante do governo chinês disse ainda que o desejo de Alfred Nobel, inventor da dinamite e criador da premiação, era que o prêmio fosse entregue a "pessoas que promovem a harmonia nacional e a amizade internacional".

 

 

Carta 08

 

Liu, 54 anos, está preso atualmente. No ano passado, ele foi condenado a 11 anos de prisão e dois anos de perda de direitos políticos por "incitar a subversão" ao lançar a Carta 08, um manifesto que reivindicava a democracia multipartidária e respeito aos direitos humanas na China.

 

Em 1989, ele participou da revolta da Praça da Paz Celestial, em Pequim, na qual estudantes e trabalhadores chineses exigiram reformas democráticas no país.

 

Após o anúncio, a organização de Direitos Humanos Anistia Internacional - vencedora do Nobel de 1977 - afirmou que a premiação "coloca em evidência as violações de direitos na China" e pediu ao governo chinês que liberte todos os prisioneiros políticos detidos no país.

 

Liu vinha sendo apontado como favorito ao prêmio, uma indicação contra a qual o governo chinês já havia se manifestado anteriormente.

 

Entre os defensores da indicação do dissidente para o prêmio, estavam o ex-presidente checo Vaclav Havel, que também ganhou o Nobel, e o líder espiritual tibetano Dalai Lama, considerado "subversivo" pelo governo chinês.

 

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