Obama pede a Israel que abra fronteira de Gaza

Presidente nomeia como enviado para o Oriente Médio ex-senador responsável pelo acordo de paz com o IRA

The Guardian, AFP e Reuters , Washington, O Estadao de S.Paulo

23 de janeiro de 2009 | 00h00

O presidente dos EUA, Barack Obama, pediu ontem a Israel que abra os postos de passagem nas fronteiras da Faixa de Gaza para que possa entrar ajuda humanitária e fluir o comércio na região. "O socorro deve poder chegar aos palestinos inocentes que dependem deles", disse o presidente durante visita ao Departamento de Estado no primeiro dia de trabalho de Hillary Clinton.Na mesma cerimônia, o presidente nomeou oficialmente o ex-senador George Mitchell para ser o enviado da Casa Branca ao Oriente Médio. Obama disse que Mitchell deve viajar à região "o mais rápido possível" para conseguir um cessar-fogo "duradouro" e "sustentável" entre Israel e o grupo palestino Hamas.O enviado de Obama, de 75 anos, é filho de mãe libanesa e pai irlandês e cresceu falando árabe. Durante o governo Clinton, foi enviado especial à Irlanda do Norte e costurou um acordo entre os unionistas e os republicanos do Sinn Fein, estabelecendo uma série de condições que ficaram conhecidas como "Princípios Mitchell"."A política do meu governo será buscar ativamente a paz entre Israel e palestinos e entre Israel e os vizinhos árabes", disse Obama. "Para isso, o Hamas deve pôr fim ao lançamento de foguetes e Israel completar a retirada de suas forças de Gaza."Obama espera que Mitchell seja capaz de estabelecer um novo conjunto de princípios que permitam que o Hamas - ou pelo menos uma ala política do grupo, como foi o Sinn Fein, que atuou separadamente do Exército Republicano Irlandês (IRA) - tenha um lugar à mesa de negociações.Se isto acontecer, o Hamas será pressionado a usar as mesmas três condições atualmente impostas por Israel, Europa e EUA: que reconheça Israel, renuncie à violência e concorde em obedecer aos acordos anteriores."Há muitas razões para ser cético", disse Mitchell sobre a dificuldade de se conseguir um acordo de paz entre israelenses e palestinos. "Mas o presidente e a secretária de Estado não pensam assim. Eles acreditam, como eu, que a busca da paz é muito importante e exige nosso esforço máximo, apesar das dificuldades e dos tropeços."

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