Obama pede a Karzai 'novo capítulo' no Afeganistão

Governo dos EUA reconheceu reeleição do líder afegão e pediu esforços contra corrupção.

BBC Brasil, BBC

02 Novembro 2009 | 21h06

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, felicitou, nesta segunda-feira, a reeleição do presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, e pediu ao líder para "escrever um novo capítulo" no governo do país.

Em uma conversa telefônica, Obama pediu ainda para que Karzai intensifique os esforços contra a corrupção.

As declarações do líder americano ocorreram depois de Karzai ter sido declarado vencedor da eleição presidencial no país, após o cancelamento do segundo turno, previsto para o dia 7.

O anúncio da Comissão Eleitoral Independente foi feito nesta segunda-feira, um dia depois de o adversário de Karzai no segundo turno, Abdullah Abdullah, ter desistido da disputa sob a alegação de que não havia "condições mínimas" para evitar fraudes.

Em uma coletiva de imprensa na capital afegã, Cabul, um porta-voz da comissão, Azizullah Ludin, declarou Karzai, o candidato que recebeu mais votos no primeiro turno, vencedor do pleito.

Após o anúncio, o porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, afirmou que os Estados Unidos reconheceram Karzai como o "líder legítimo do país".

Segundo a comissão, o segundo turno foi cancelado para economizar dinheiro, por razões de segurança e para evitar retrocessos que possam prejudicar o Afeganistão tanto politicamente quanto economicamente.

O Talebã, responsável por uma série de atentados durante o primeiro turno, havia anunciado novos ataques para o segundo turno.

Fraudes

O primeiro turno das eleições afegãs, em 20 de agosto, foram marcados por acusações de fraude. Cerca de 1,3 milhão de votos foram anulados, reduzindo o percentual de votação de Karzai - ainda assim à frente do de Abdullah.

Diante da pressão internacional, Karzai aceitou a realização de um segundo turno.

O candidato da oposição estava condicionando sua participação no segundo turno à renúncia do diretor da Comissão Eleitoral Independente, Azizullah Lodin, que foi rejeitada por Karzai.

Como "condições mínimas" para permanecer na disputa, Abdullah também havia pedido o fechamento de diversos postos de votação, a fim de fazer melhor uso dos monitores eleitorais. Em vez disso, as autoridades anunciaram que abririam mais locais de votação.

Segundo Obama, o pleito foi "bagunçado", mas o resultado está "de acordo com a lei afegã".

Obama disse ainda que "Karzai garantiu que entende a importância desse momento para o país". Mas, segundo o presidente americano, "a prova não será em palavras, mas em ações".

A reeleição de Karzai também foi bem recebida por outros líderes. O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, felicitou o presidente e disse que os dois "discutiram a importância de o presidente agir rapidamente para estabelecer um programa de unificação para o futuro do Afeganistão".

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas, Ban Ki-Moon, visitou Cabul e disse que a eleição afegã havia sido uma das "mais difíceis que as Nações Unidas já haviam apoiado".

Um dos objetivos do segundo turno era dar mais legitimidade ao pleito. Segundo a correspondente da BBC em Cabul, Lyse Doucet, alguns observadores questionam a legitimidade de Karzai e colocam em dúvida suas condições de cumprir o novo mandato. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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