Brendan Smialowski/Efe
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Obama pede desculpa por morte de paquistaneses em bombardeio

Americano telefona para presidente do Paquistão para contornar crise causada por ataque que matou 24

WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

05 de dezembro de 2011 | 03h02

WASHINGTON - O presidente dos EUA, Barack Obama, telefonou ontem para seu colega paquistanês, Asif Ali Zardari, para tentar contornar a crise causada pela morte de 24 soldados paquistaneses em um bombardeio da Otan na fronteira com o Afeganistão, na semana passada. O presidente americano garantiu que o incidente não foi um ataque deliberado e expressou suas condolências às famílias das vítimas mortas no episódio.

Segundo a Casa Branca, os dois presidentes reafirmaram seu compromisso de manter uma relação bilateral e um contato estreito. Ainda de acordo com o governo americano, a parceria com o Paquistão é crucial para a segurança de ambas as nações.

"O presidente enfatizou que esse lamentável incidente não foi um ataque deliberado ao Paquistão e reiterou o forte compromisso dos EUA de fazer uma investigação completa do ocorrido", informou o gabinete de Obama em comunicado.

No sábado, a secretária de Estado, Hillary Clinton, já tinha dado início à ofensiva diplomática para acalmar o Paquistão. Em encontro com o primeiro-ministro paquistanês, Yusuf Raza Gilani, ela manifestou condolências pelo "trágico e involuntário incidente" e ressaltou o respeito dos EUA pela soberania do Paquistão.

O episódio abalou ainda mais a aliança entre os dois países, desgastada desde que uma operação especial americana entrou no Paquistão, sem informar as autoridades locais, e executou o terrorista saudita Osama bin Laden. O idealizador dos atentados de 11 de Setembro vivia em Abbottabad, cidade com forte presença do Exército paquistanês, o que levantou dúvidas sobre a cumplicidade de Islamabad na luta contra a Al-Qaeda e o Taleban.

Retaliação. Na sexta-feira, o principal comandante militar do Paquistão, o general Ashfaq Kayani, prometeu revidar qualquer ataque da Otan. "Quero enfatizar e não deixar ambiguidades: sob ataque, vocês têm toda a liberdade de ação para reagir", escreveu o militar em carta a seus subordinados. "Qualquer ato de agressão será respondido com toda a força, independentemente dos custos e consequências."

Além da ameaça de Kayani, o Paquistão já tinha proibido a Otan de usar rotas dentro do país para abastecer as tropas que combatem o Taleban no Afeganistão. Islamabad também proibiu os americanos de utilizar uma base aérea em seu território e cancelou a participação em uma cúpula sobre o Afeganistão em Bonn, na Alemanha.

Segundo os paquistaneses, a Otan premeditou a ofensiva, que ocorreu entre a Província de Kunar, no Afeganistão, e a área tribal paquistanesa de Mohmand, ao ter dado as coordenadas erradas de onde ocorreria a ação e ao não esperar a autorização paquistanesa para agir.

O senador John McCain, principal membro do Comitê das Forças Armadas do Senado, defendeu o fim da ajuda anual de US$ 2,4 bilhões aos paquistaneses. Segundo ele, Islamabad utiliza o dinheiro para financiar militantes islâmicos que atuam no Afeganistão, como a rede Haqani. / EFE e AP

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