Obama pede 'investigação exaustiva' para determinar ação contra a Síria

Um dia depois de o Pentágono ter declarado haver evidências de que o ditador sírio Bashar Assad atacou a população civil e os rebeldes que tentam derrubá-lo com armas químicas, o presidente americano, Barack Obama, voltou a dizer ontem que o uso desse arsenal seria uma "linha vermelha" para medidas mais drásticas contra o regime sírio. Apesar do alerta, Obama ressaltou a necessidade de uma "investigação exaustiva" sobre o caso.

WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

27 de abril de 2013 | 02h02

"Além do horror de massacrar civis indiscriminadamente com armas convencionais, o uso de armas de destruição em massa cruza uma nova linha do direito internacional", disse o presidente, em encontro com o rei Abdullah, da Jordânia. "Essa é a linha vermelha. Temos de agir com prudência e avaliar. Mas acredito que todos nós reconhecemos que não podemos cruzar os braços e permitir o uso de armas químicas contra civis."

Obama ainda prometeu uma investigação criteriosa sobre o uso do arsenal no conflito sírio. Na quinta-feira, secretário de Defesa dos EUA, Chuck Hagel, indicou que os serviços de inteligência haviam detectado o uso de armas químicas por parte do regime de Assad, especialmente gás sarin.

A pressão política por uma ação mais ampla contra Assad cresceu depois das declarações de Hagel. Um dos principais aliados ocidentais de Obama, o primeiro-ministro britânico, David Cameron, expressou ontem a preocupação de que uma possível intervenção na Síria seja evitada em razão de temores dos erros cometidos por Grã-Bretanha e EUA na Guerra do Iraque (2003-2011).

À rede de TV BBC, Cameron disse ter limitadas - mas cada vez mais concretas - evidências de que armas químicas foram usadas na guerra civil síria. "Eu escolho minhas palavras com cuidado, mas me parece que o regime sírio está cometendo crimes de guerra", disse o premiê. "Quero assegurar ao público que as lições do Iraque foram aprendidas. Por isso é muito importante agir com clareza e prudência."

O primeiro-ministro, no entanto, ressaltou que a resposta deverá ser feita de maneira política, em vez de militar. "Na minha opinião, o que precisamos fazer - e já estamos fazendo uma parte disso - é formar a oposição, trabalhar com ela, treiná-la, orientá-la, ajudá-la a pressionar o regime e colocar um fim nisso", afirmou.

Pressão. A Coalizão Nacional Síria (CNS), entidade que agrega os principais grupos de oposição a Bashar Assad, pediu ontem uma rápida intervenção internacional para interromper o uso de armas químicas por parte do regime.

Em comunicado, o CNS afirmou que Damasco deve entender que, tal como disseram a ONU, os Estados Unidos e outros países, o emprego de armas químicas é uma fronteira cujo cruzamento terá resultados graves. "Se não forem tomadas medidas rápidas, o regime de Assad verá o silêncio como um sinal de aceitação internacional ao uso de armas químicas", afirmou o grupo. Segundo a entidade, nas últimas semanas habitantes de Alepo, Homs e da periferia de Damasco foram atacados com armas químicas. Por isso, exige da ONU e dos membros permanentes do Conselho de Segurança que "ajam com urgência". Para o CNS, além de declarações, é necessário uma ação real - na prática, uma intervenção.

"A ONU deve ouvir os gritos do povo sírio de uma vez por todas e a Rússia tem de deixar de atuar (em favor de Assad), permitindo que o Conselho de Segurança cumpra seus deveres de manutenção da paz e da segurança", diz o texto. / AP, REUTERS e EFE

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