Carolyn Kaster/AP
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Obama pede pela 1ª vez saída de Assad

Em comunicado conjunto, líderes de França, Grã-Bretanha e Alemanha também dizem que é hora de o presidente sírio deixar o poder

Gustavo Chacra, O Estado de S.Paulo

19 de agosto de 2011 | 00h00

CORRESPONDENTE / NOVA YORK

Cinco meses após o início da repressão do regime de Damasco a manifestantes da oposição, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, pediu a Bashar Assad que deixe o poder na Síria. França, Alemanha e Grã-Bretanha também publicaram um comunicado conjunto pedindo a saída do presidente sírio.

A alta comissária da ONU para direitos humanos, Navy Pillay, recomendou ontem pessoalmente ao Conselho de Segurança que o organismo peça ao Tribunal Penal Internacional que investigue Assad e outras autoridades sírias por crimes contra a humanidade. O CS também debateu o relatório sobre a Síria em reunião ontem em Nova York (mais informações na pág. 16)

"Seus apelos por uma reforma e diálogo não chegaram a lugar nenhum. Ao mesmo tempo, ele (Assad) continuou prendendo, torturando e matando o seu povo. Para o bem do povo sírio, chegou o momento de Assad afastar-se", disse Obama ao exigir, pela primeiro vez, que o líder do regime em Damasco deixe o poder.

Além da declaração, Obama assinou uma ordem executiva "congelando todos os bens do governo sírio sob jurisdição americana e proibiu cidadãos americanos de realizar transações com o governo sírio ou de investir naquele país", disse a secretária de Estado, Hillary Clinton. Segundo ela, "essas ações atingem o coração do regime ao banir também a importação de petróleo e seus derivados da Síria".

Os americanos, que há anos impõem uma série de outras sanções unilaterais à Síria, possuem pouco peso na economia síria e tentam convencer seus aliados europeus a suspender a compra de petróleo desse país árabe.

Os principais países europeus coordenaram com os EUA o pedido para a saída do líder sírio. "Acreditamos que Assad, ao apelar para uma força militar brutal contra o seu povo e por ser o responsável pela situação, perdeu legitimidade e não pode mais reivindicar a liderança do país. Diante da completa rejeição do regime pelo povo sírio, pedimos a ele (Assad) que se afaste atendendo aos melhores interesses da Síria", disseram em um comunicado os líderes de Grã-Bretanha, França e Alemanha.

Quando os levantes começaram, em março, tanto os EUA quanto os europeus disseram acreditar que Assad teria condições de liderar uma transição para a democracia. Mas a decepção com o líder sírio foi aumentando por causa da violência que, segundo a ONU, deixou 2 mil mortos.

Assad telefonou na quarta-feira ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon dizendo que havia suspendido as operações militares contra os opositores. Mas os ativistas disseram que a repressão continuava e ao menos 26 pessoas - entre elas um menino de 13 anos - foram fuzilados em um estádio na cidade de Deraa.

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