Obama pede que China 'envie mensagem clara à Coreia do Norte'

Presidente chinês diz que é preciso 'atenuar as tensões, e não agravá-las'

Reuters

06 de dezembro de 2010 | 09h45

PEQUIM - A China teme que as tensões na península coreana fujam ao controle se não forem adequadamente tratadas, disse nesta segunda-feira, 6, o presidente da China, Hu Jintao, ao seu colega americano Barack Obama, na primeira conversa entre ambos sobre o assunto desde o bombardeio norte-coreano a uma ilha do Sul há duas semanas.

 

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A Casa Branca disse que Obama, em telefonema a Hu, pediu a Pequim que colabore com os EUA e com outros governos para "enviar uma mensagem clara à Coreia do Norte de que suas provocações são inaceitáveis".

Ainda na segunda-feira, a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, recebe os chanceleres do Japão e da Coreia do Sul para discutir o incidente de novembro na costa oeste da península, que deixou quatro sul-coreanos mortos, inclusive dois civis.

A China, que preside o atualmente paralisado processo de negociação nuclear com a Coreia do Norte, não foi convidada para o encontro em Washington, que no entanto deve discutir a proposta de Pequim para que seja realizada uma conferência regional de crise.

"Especialmente com a presente situação, se não for tratada adequadamente, as tensões podem crescer na península da Coreia e escapar ao controle, o que não seria do interesse de ninguém", afirmou Hu, segundo nota da chancelaria chinesa. "A tarefa mais premente no momento é lidar calmamente com a situação", acrescentou Hu, segundo o site da chancelaria.

Na qualidade de única aliada relevante da Coreia do Norte, a China tem sido pressionada pelos EUA e por outros governos para conter as provocações do regime comunista de Pyongyang. Hu disse que a China "lamenta profundamente" as mortes no incidente, mas Pequim evitou citar culpados. "Precisamos atenuar (as tensões), não agravá-las; diálogo, não confronto; paz, não guerra", disse Hu a Obama.

A Coreia do Norte anunciou recentemente também a ampliação do seu programa nuclear, incluindo agora o enriquecimento de urânio. Analistas dizem que as recentes provocações norte-coreanas parecem motivadas por uma série de fatores, como questões políticas internas e a sua tradicional prática de usar ameaças e agressões para se posicionar melhor em negociações que possam resultar em ajuda diplomática e financeira.

O regime norte-coreano abandonou há dois anos as discussões sobre seu desarmamento nuclear, que incluíam também EUA, China, Rússia, Japão e Coreia do Sul.

A conversa entre Obama e Hu ocorreu no mesmo dia em que a Coreia do Sul iniciou exercícios navais com munição real, e 13 dias após o bombardeio norte-coreano à ilha de Yeonpyeong. A Coreia do Norte disse que os exercícios sul-coreanos, em parceira com os EUA, mostram que a Coreia do Sul deseja uma guerra.

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