Obama pede 'reconsideração' de referendo na Crimeia

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse nesta quarta-feira ter expectativa de que um referendo sobre o futuro da península da Crimeia ainda possa ser cancelado. Esta tarde, Obama se reuniu na Casa Branca com o novo primeiro-ministro da Ucrânia, Arseniy Yatsenyuk.

AE, Agência Estado

12 de março de 2014 | 18h17

Sentado lado a lado com Yatsenyuk no Salão Oval, Obama afirmou esperar que esforços diplomáticos de última hora possam levar a uma "reconsideração" sobre o referendo marcado para domingo, apoiado pela Rússia. A Crimeia promoverá neste domingo referendo para consultar a população sobre a separação da Ucrânia e integração da região à Rússia. "Nós não iremos reconhecer qualquer referendo que seja realizado", salientou Obama.

O presidente assinalou que "há outro caminho disponível e esperamos que o presidente Putin esteja disposto a segui-lo", referindo-se ao presidente da Rússia, Vladimir Putin. "Mas se ele não o fizer, estou confiante de que a comunidade internacional irá apoiar firmemente o governo ucraniano."

Obama e Yatesenyuk se reuniram no momento em que o Senado norte-americano avaliava um pacote de novas sanções à Rússia e ajuda econômica à Ucrânia. A proposta foi aprovada na Comissão de Relações Exteriores da Casa por 14 votos e três e agora deve seguir para apreciação em plenário. O projeto autoriza US$ 1 bilhão em garantias de empréstimo para o novo governo ucraniano e permite à administração Obama impor sanções econômicas sobre autoridades russas responsáveis pela intervenção na Crimeia ou culpadas em casos de corrupção.

Yatsenyuk assumiu o poder no fim de fevereiro, depois que Viktor Yanukovich deixou o país na sequência de três meses de protestos. Com a Ucrânia presa entre a influência diplomática de EUA e Rússia, Yatsenyuk afirmou que a Rússia precisa reconhecer que seu país pode ter laços com ambos. "A Ucrânia é e será parte do mundo ocidental", afirmou Yatenyuk, em inglês fluente.

Enquanto isso, o secretário de Estado dos Estados Unidos, John Kerry, alertou hoje que a resposta norte-americana a uma possível anexação da Crimeia pela Rússia pode "ficar crítica rapidamente" por meio de sanções punitivas.

Kerry se preparava para viajar para Londres para encontrar o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, na sexta-feira, em tentativa de última hora de evitar uma crise sobre a Ucrânia.

Em reunião com parlamentares norte-americanos, o secretário assinalou que os EUA estão preparando uma série de medidas punitivas, incluindo "sanções de visto, sanções bancárias, sanções comerciais direcionadas" e outras medidas individuais. "Eu não quero entrar em todos os detalhes, só vou dizer isto: a situação pode ficar crítica rapidamente se as escolhas erradas forem feitas", afirmou. "E pode ficar crítica em múltiplas direções." Fonte: Associated Press e Dow Jones Newswires.

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