Obama pede redução de arsenais atômicos

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, fez nesta quarta-feira um chamado a "um novo ativismo cidadão no mundo livre", renovando sua defesa da redução recíproca dos arsenais nucleares estratégicos de Washington e de Moscou e defendendo o combate ao aquecimento global, qualificado por ele como "a maior ameaça mundial de nosso tempo".

AE, Agência Estado

19 de junho de 2013 | 18h53

Em um abrangente discurso proferido no Portão de Brandemburgo, marco histórico de Berlim e poderoso símbolo da Guerra Fria, Obama listou o que considera os desafios principais a serem enfrentados pelo mundo nos próximos anos.

"As ameaças de hoje não são tão duras quanto as de meio século atrás, mas a luta por liberdade, segurança e dignidade humana continua", declarou o presidente norte-americano na capital alemã. "E eu venho até esta cidade da esperança porque o desafio do nosso tempo exige o mesmo espírito de luta que definiu Berlim meio século atrás."

Quase 50 anos depois do famoso discurso proferido pelo ex-presidente norte-americano John Kennedy em uma Berlim então dividida pelo muro, Obama pediu a redução de um terço das armas nucleares em todo o mundo. "Podemos não mais viver com o medo da aniquilação do mundo, mas enquanto armas nucleares existirem, não estaremos seguros."

Ele disse que pretende negociar os cortes com a Rússia para ir além da postura da Guerra Fria. O presidente prometeu trabalhar com seus aliados a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) para criar uma nova estrutura internacional para o uso pacífico da energia nuclear.

Obama disse que os EUA realizarão uma cúpula em 2016 sobre segurança de materiais nucleares em todo o mundo e também pediu a criação de um tratado para encerrar a produção de material físsil.

O presidente norte-americano também disse hoje que os EUA não estão se preparando para ir à guerra na Síria e saudou o apoio recebido pelos líderes do Grupo dos Oito (G-8, composto por Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Itália, Japão e Rússia), durante a cúpula do grupo na Irlanda do Norte, para uma transição política no país e o fim da sangrenta guerra civil que já deixou dezenas de milhares de mortos.

Obama disse que os relatos de que Washington está lançando as bases para uma intervenção militar para derrubar o presidente sírio Bashar Assad são "um pouco exagerados" e enfatizou que os EUA estão determinados a encontrar uma solução política para a guerra civil na Síria, embora tenha destacado que uma solução pacífica só pode ser alcançada com um novo governo.

O G-8 reafirmou seu compromisso com a criação de um governo de transição na Síria, mas ficou dividido sobre a questão das armas químicas. A Rússia, aliada de Assad, afirma que Damasco não usou esse tipo de armamento.

Obama abandonou recentemente sua oposição ao envio de ajuda letal para os rebeldes sírios após ser convencido de que o governo de Assa usou armas químicas.

A visita de 26 horas à capital alemã encerra os três dias de cúpulas internacionais do presidente e marca seu retorno ao local onde ele discursou para 200 mil pessoas em junho de 2008, quando ainda era senador e provável candidato à presidência dos EUA. Fontes: Associated Press e Dow Jones Newswires.

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