Obama pede revisão de ajuda ao Cairo

EUA pedem aos militares do Egito que devolvam controle do país ao 'governo civil eleito democraticamente'

Denise Chrispim Marin, Washington

03 de julho de 2013 | 19h29

O presidente Barack Obama pediu ontem aos militares do Egito que devolvessem o controle do país ao “governo civil eleito democraticamente”, mas evitou chamar de golpe a deposição do presidente Mohammed Morsi. Obama ordenou a revisão da assistência militar e econômica – no valor de US$ 1,5 bilhão por ano – ao país.

Por lei, o governo dos EUA é obrigado a suspender a ajuda financeira a países que têm seu líder eleito derrubado em um golpe de Estado e Obama tende a sofrer pressões do Congresso para que isso ocorra.

“Peço aos militares egípcios que se movimentem rapidamente e de forma responsável para retornar a plena autoridade de volta ao governo civil eleito democraticamente o mais rápido possível em um processo inclusivo e transparente, e para evitar as prisões arbitrárias do presidente Morsi e os seus apoiadores”, disse Obama.

O presidente americano disse, ainda que os EUA não pretendiam tomar partido no conflito, mas garantir o comprometimento com a democracia eo respeito ao Estado de Direito.

O secretário de Defesa, Chuck Hagel, telefonou ontem para o general Abdel-Fattah al-Sisi, ministro de Defesa de Morsi, que anunciou o golpe militar, mas o Pentágono não divulgou o conteúdo da conversa.

Como medida emergencial, o Departamento de Estado apenas determinou aos funcionários americanos da Embaixada dos EUA no Cairo para deixarem o país até sábado.

O presidente Barack Obama, em visita à Tanzânia, telefonou para Morsi, na segunda-feira, para convencê-lo a considerar “outras opções” para solucionar a crise. “A democracia não diz respeito apenas a eleições. É também sobre como você trabalha com a oposição, como você trata as vozes contrárias, como você trata os grupos minoritários”, disse Obama.

Na terça-feira, o Departamento de Estado teve de correr para corrigir “mal-entendidos” causados por essa declaração. Obama não teria apoiado a queda do presidente egípcio, eleito em 2011, nem a convocação de novas eleições, segundo diplomatas americanos. Em Washington, o secretário de Estado, John Kerry, telefonou para o ministro egípcio das Relações Exteriores para ressaltar que os EUA não tomaram partido.

“As notícias que vimos sobre o apelo por eleições antes do previsto são equivocados”, disse Jen Psaki, para repetir, em seguida, que seu país continuava neutro.”Estamos do lado do povo do Egito.”

Tudo o que sabemos sobre:
EgitogolpeEUAMorsi

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.