Obama pede união de partidos para geração de emprego

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, pediu hoje que os líderes republicanos no Congresso deixem de lado as diferenças partidárias e se unam aos democratas, para aprovar um pacote com medidas destinadas à geração de empregos. As declarações foram feitas durante um encontro de duas horas reunindo políticos importantes do dois lados.

AE, Agencia Estado

09 de fevereiro de 2010 | 18h27

Os oposicionistas deixaram a reunião, na Casa Branca, afirmando que há algumas áreas em que pode haver acordo. Apesar disso, os republicanos criticaram novamente a proposta do governo de reforma do sistema de saúde.

Obama reuniu altos nomes dos dois partidos para o primeiro daqueles que, segundo ele, serão encontros regulares. A iniciativa ocorre apesar do clima político polarizado em Washington, onde os políticos já se preparam para as eleições legislativas de novembro.

"Eu acho que é justo dizer que o povo americano está frustrado com a falta de progresso em alguns temas-chave", disse Obama, na abertura do encontro bipartidário na Casa Branca. "E mesmo que os partidos não vão concordar sobre cada item, deve haver algumas áreas onde podemos concordar e podemos concluir algumas coisas", avaliou.

"Minha esperança é que tanto a Câmara (dos Representantes) quanto o Senado irão avançar em alguns pacotes nas próximas semanas, que podem fornecer uma melhora nas contratações e começar a reduzir a taxa de desemprego", afirmou o presidente.

Articulação dos republicanos

Obama realizou o encontro dois dias após anunciar que iria reunir líderes dos dois principais partidos na Casa Branca em 25 de fevereiro, para buscar pontos comuns na reforma do sistema de saúde, atualmente emperrada no Congresso.

O líder da minoria no Senado, o republicano Mitch McConnell, do Kentucky, disse que estava pronto para trabalhar com Obama em temas como a expansão da energia nuclear, a prospecção de petróleo e gás offshore, projetos com carvão que gerem menos poluição e acordos de comércio emperrados no Legislativo, incluindo um com a Coreia do Sul.

McConnell também mencionou a expectativa de que algum pacote para incentivar a criação de empregos seja aprovado pelo Congresso. Ele sugeriu, porém, que o encontro sobre a reforma de saúde não deve trazer avanços, a menos que o presidente deixe de lado sua relutância em começar o trabalhoso processo de elaborar essa reforma de novo.

"Nós temos que recomeçar, nós temos que ouvir o povo americano. Por que eles iriam querer pressionar por algo que o povo americano é majoritariamente contra?", opinou o oposicionista.

O líder republicano na Câmara dos Representantes, John Boehner, de Ohio, pediu que Obama comece a cumprir sua promessa de reduzir os gastos públicos. Na opinião do deputado, Obama deveria cancelar financiamentos para alguns projetos aprovados que ainda não receberam recursos. "Nós podemos começar a cortar os gastos agora", afirmou Boehner.

Participaram do encontro a presidente da Câmara dos Representantes, a democrata Nancy Pelosi, da Califórnia, e o líder da maioria no Senado, Harry Reid, de Nevada. Também estava presente o vice-presidente Joe Biden, um ex-senador como Obama.

Os republicanos comemoram o bom momento político, após conseguirem, no mês passado, a cadeira no Senado que era ocupada pelo falecido democrata Edward Kennedy, um dos ícones da situação. De quebra, acabaram com a maioria de 60 votos do Partido Democrata no Senado, que dava à situação o poder de impedir manobras protelatórias e facilitava na aprovação de projetos.

Com o revés democrata, Obama precisará de votos republicanos para passar itens de sua agenda de reformas. Além disso, os democratas mais conservadores temem que algum voto deles seja mal recebido pela população, dificultando uma reeleição no Legislativo.

As informações são da Dow Jones.

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