Obama planeja ação para beneficiar 5 milhões de imigrantes, diz imprensa

Segundo veículos da mídia americana, presidente deve anunciar nas próximas semanas medida para barrar deportações e dar permissão de trabalho

O Estado de S. Paulo

13 Novembro 2014 | 20h56

WASHINGTON - O presidente dos EUA, Barack Obama, está prestes a divulgar uma série de ações executivas relacionadas à imigração que protegerá contra deportação cerca de 5 milhões de imigrantes que vivem em situação ilegal no país, segundo a imprensa americana, citando fontes da Casa Branca.   

A estimativa prevê proteção contra deportação para parentes e cônjuges de cidadãos americanos e residentes permanentes que vivem no país por anos, como afirmou nesta quinta-feira a agência Associated Press e o jornal The New York Times. O presidente também deve expandir por mais dois anos o programa que protege jovens imigrantes de deportação, lançado por seu governo, em 2012, válido inicialmente por esse mesmo prazo. 

Segundo a imprensa americana, o momento do anúncio ainda não está claro, mas deve ocorrer nas próximas semanas, antes do fim do ano. O secretário de Imprensa da Casa Branca, Josh Earnest, disse que Obama deveria rever recomendações finais sobre a proposta quando retornar de sua viagem à Ásia, na próxima semana. 

Congressistas republicanos se opõem fortemente aos planos de Obama. Alguns deles, conservadores que retornaram ao Capitólio esta semana após as eleições de meio de mandato que deram a maioria ao partido opositor, trabalham em um projeto de lei com uma forte linguagem para bloquear a ação do presidente.    

Outros líderes republicanos alertaram que o resultado de uma ação executiva como essa poderia ser outra tentativa, pelo Congresso, de "fechar" (shutdown) o governo, como ocorreu no ano passado após as discussões sobre o programa de saúde do presidente, conhecido nos EUA como Obamacare. 

Os defensores de uma medida pró-imigração, que falaram em anonimato, disseram que detalhes finais do plano do Executivo ainda estão em discussão. Mas, segundo eles, a Casa Branca pretende incluir parentes e cônjuges de cidadãos americanos e residentes permanentes como beneficiários, estipulando que eles devem ter vivido nos EUA por um período de tempo - possivelmente, algo em torno de cinco anos. Esse grupo, segundo uma estimativa do Instituto de Políticas de Imigração, somariam cerca de 3,8 milhões de pessoas. 

Ainda que Obama não tenha poderes para garantir cidadania ou residência permanente - "green cards" - sem o envolvimento do Congresso, ele pode oferecer proteção temporária com autorização de trabalho que impeça deportações, como fez em 2012. 

Ajustes a programas já existentes como o Deferred Action for Childhood Arrivals, que permite imigrantes com menos de 31 anos que chegaram aos EUA antes de julho de 2007 a adquirir indulto de deportação e permissão de trabalho, deverão ser feitos.  Mais de 600 mil jovens imigrantes têm se beneficiado dessa medida. Remover o limite de idade é um dos pontos que tem sido considerado, de acordo com essas fontes. A mudança tornaria pelo menos mais 200 mil pessoas elegíveis ao programa. Outros programas também devem passar por ajustes. 

Em entrevista ao programa Face The Nation, da CBS, no domingo, Obama manifestou intenção de assinar uma medida para beneficiar os imigrantes. Especialistas calculam que cerca de 11 milhões de imigrantes vivam em situação ilegal nos EUA. / AP e NYT 

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