''Obama pode não ter força para enfrentar lobby pró-Israel''

É cedo para dizer se a aliança americana com Israel se enfraquecerá no governo de Barack Obama. Tudo dependerá da capacidade do presidente dos EUA de enfrentar os interesses do grupo lobista pró-Israel Aipac. A opinião é do cientista político John Mearsheimer, que conversou com o Estado por telefone de seu escritório na Universidade de Chicago.Autor do polêmico livro O Lobby de Israel, Mearsheimer diz que é interesse dos EUA permitir a criação de um Estado palestino. "O problema é que Obama terá de lidar com o lobby pró-Israel e não creio que seja duro o suficiente para lutar contra seus interesses", disse.Obama apoia uma solução de dois Estados para a resolução do conflito entre israelenses e palestinos. O premiê de Israel, Binyamin "Bibi" Netanyahu, apesar de não negar a possibilidade de que seja criado um Estado palestino, sustenta que, no momento, a prioridade precisa ser o Irã. Até agora, segundo Mearsheimer, Obama foi fraco por manter silêncio durante os bombardeios israelenses na Faixa de Gaza e não se esforçar para manter Charles Freeman, diplomata e crítico de Israel, em um alto posto do serviço de inteligência americano. Para superar este obstáculo, segundo o cientista político, movimentos judaicos mais moderados nos EUA, como o Israeli Policy Forum (mais informações nesta página), podem ajudar Obama. "Mas eles precisam agir com força e rapidamente", disse o analista. A tese de Mearsheimer é que a relação dos EUA com Israel não deve ser diferente da existente com outros aliados americanos, como a Grã-Bretanha e a França. "Na prática, isso significa apoiar Israel quando suas ações forem consistentes com os interesses americanos e tomar distância quando não forem", escreveu.Para Mearsheimer, a aliança incondicional também prejudica Israel. "Na guerra contra o Hezbollah, no Líbano em 2006, Washington apoiou Israel enquanto o país adotava uma estratégia até o limite que foi, como muitos israelenses hoje reconhecem, equivocada. Os EUA teriam sido melhores amigos se tivessem pressionado Israel a dar uma resposta mais inteligente ao Hezbollah e concordar com a trégua rapidamente", disse.

Gustavo Chacra, NOVA YORK, O Estadao de S.Paulo

18 de maio de 2009 | 00h00

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