Obama poupa Pentágono de cortes no orçamento

Proposta para o ano fiscal de 2012 aumenta a tensão entre a Casa Branca e congressistas republicanos

Denise Chrispim Marin, O Estado de S.Paulo

16 de fevereiro de 2011 | 00h00

O orçamento de Defesa dos EUA para 2012, de US$ 671 bilhões, ameaça novamente estremecer as relações entre o governo de Barack Obama e o Congresso americano. A cifra representa um corte de cerca de US$ 37 bilhões em comparação às despesas previstas para 2011 e deve afetar especialmente os contratos de compra de veículos de combate e as ações da Marinha e do Exército na prevenção a ameaças na Ásia.

Segundo o republicano Howard Buck McKeon, presidente do Comitê de Forças Armadas da Câmara dos deputados, esse corte de 2% a 3% traz "significantes preocupações".

O questionamento sobre os recursos a esse setor se somou às críticas ao orçamento proposto por Obama. Considerada "irresponsável" e "sem sentido" pela oposição, a proposta traz um inesperado aumento de despesas, de 1,9%, apesar da pressão sobre a Casa Branca para a redução do déficit fiscal. Ontem, o próprio Obama saiu a público para defender seu projeto, em uma entrevista que não estava prevista até a noite anterior.

"A economia está crescendo de novo. As pessoas estão agora mais esperançosas. Nesse ambiente, em que estamos saindo do fundo do poço, nós temos de olhar os problemas de médio e de longo prazo", argumentou, em sua primeira entrevista coletiva do ano.

"Vocês são muito impacientes. Se algo não acontece hoje, concluem que não vai acontecer nunca", completou, referindo-se ao ajuste nas contas públicas e à redução da dívida, de US$ 14,1 trilhão.

Somente o Departamento de Defesa terá acesso a US$ 553 bilhões do total de US$ 671 bilhões. Esse valor é US$ 22 bilhões maior do que o de 2010 e, em princípio, permitirá a preservação da agenda militar no Iraque e Afeganistão.

Em 2012, os EUA terão nesses países apenas uma parcela de suas tropas, reorientada para o treinamento de forças de segurança locais. A maioria dos soldados foi retirada do Iraque em meados de 2010. No caso do Afeganistão, a saída está programada para julho deste ano.

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