Jim Young/Reuters
Jim Young/Reuters

Obama pressiona Índia e Paquistão a retomar conversações de paz

Esforços. Em visita a Mumbai, presidente americano diz que o governo de Islamabad não está avançando tão rápido na luta contra os militantes islâmicos quanto os EUA desejam e afirma que Nova Délhi tem muito a ganhar com a estabilização no país vizinho

AFP, REUTERS e AP, O Estado de S.Paulo

08 de novembro de 2010 | 00h00

NOVA DÉLHI

O presidente americano, Barack Obama, exortou ontem a Índia e o Paquistão a trabalharem juntos para resolver suas disputas, destacando que Nova Délhi tem muito a ganhar se seu vizinho e rival tiver êxito na luta contra o terrorismo.

Obama também desafiou o Paquistão a fazer mais no combate ao terror. "O Paquistão está progredindo contra o câncer do extremismo, mas os avanços não são tão rápidos como gostaríamos", disse o presidente no segundo dia de estada em Mumbai, antes de viajar para Nova Délhi.

Mumbai foi alvo de atentados de 2008 lançados por um grupo extremista com base no Paquistão. Os ataques deixaram 166 mortos. O único sobrevivente do comando de dez homens fortemente armados declarou que tinham sido recrutados, treinados e equipados pelo grupo radical islâmico Lashkar-i-Taiba, que recebeu apoio de certos membros do serviço de inteligência e do Exército paquistaneses.

 

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O Paquistão é um importante aliado dos EUA na luta contra o terror e a guerra no Afeganistão, enquanto Obama considera a Índia um vital parceiro econômico. O presidente destacou que a Índia é a mais interessada na estabilização do Paquistão, apesar de reconhecer a história "incrivelmente complexa" entre os dois países, que já travaram três guerras desde sua independência da Grã-Bretanha, em 1947.

"Minha esperança é que, com o tempo, a confiança se desenvolva entre os dois países e eles retomem o diálogo", declarou Obama aos estudantes da Universidade Saint Xavier, em Mumbai.

Nova Délhi e Islamabad iniciaram um processo de paz em 2004, mas a Índia congelou o diálogo após os ataques em Mumbai.

Em Islamabad, o porta-voz da chancelaria Abdul Basit disse à agência indiana PTI que os EUA deveriam ter um papel efetivo para ajudar a resolver a antiga disputa pela Caxemira. A região do Himalaia é o centro do conflito entre a Índia e o Paquistão, que travaram duas guerras pela Caxemira, dividida entre os dois países após a independência. Na parte indiana vive uma maioria muçulmana que não aceita o controle da Índia, de maioria hindu, sobre a região. A Índia acusa o Paquistão - dois países com poderio nuclear - de fomentar a militância islâmica na Caxemira.

Ontem, uma figura do separatismo exortou Obama a mediar uma solução para a Caxemira, alegando que isso ajudaria a reduzir a desconfiança entre Washington e o mundo islâmico. Mas a Índia rejeita qualquer ingerência estrangeira no conflito.

Nova Délhi já entregou US$ 1,3 bilhão de dólares em ajuda ao Afeganistão, uma medida que aborreceu o Paquistão, que considera o vizinho do norte sua área de influência. A Índia quer a estabilidade no Afeganistão para que o país deixe de ser usado por militantes islâmicos.

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