Obama pressiona Rússia sobre a Síria

Em entrevista conjunta com François Hollande, presidente diz que governo de Moscou será culpado se ONU não levar ajuda a sírios

AP e AFP/O Estado de S.Paulo

12 de fevereiro de 2014 | 02h05

WASHINGTON - O presidente dos EUA, Barack Obama, afirmou ontem que a Rússia será culpada por impedir a entrega de ajuda humanitária aos sírios, caso bloqueie uma resolução da ONU para levantar o cerco à cidade de Homs. Um projeto de resolução com esses termos está em discussão no Conselho de Segurança, mas a perspectiva de veto da Rússia impede seu avanço.

"Há uma grande unanimidade entre a maioria dos membros do Conselho de Segurança com relação a essa resolução", disse Obama, na entrevista concedida com o presidente francês, François Hollande, que faz uma visita de Estado a Washington. "Não são só os sírios os responsáveis, mas os russos também (serão) se bloquearem essa resolução."

O texto ao qual o presidente se referiu prevê a entrega de alimentos, abrigos, medicamentos e água a civis sitiados em Homs e outras cidades sob fogo cruzado dos combates. Mas para a chancelaria russa, seu conteúdo é "absolutamente inaceitável" porque inclui um ultimato ao governo sírio.

A resolução não estabelece um cronograma de sanções automáticas. Mas se as demandas não forem implementadas em 15 dias a partir do início de sua execução, o Conselho de Segurança poderia votar por punições contra aqueles que impedirem a entrega da ajuda humanitária.

Obama aumentou a pressão sobre Moscou ao afirmar que os EUA "estão preocupados" com o ritmo com que o governo sírio cumpre sua parte no acordo de entrega das armas químicas.

O acordo foi fechado com Damasco com a negociação de EUA e da Rússia, em setembro, e está pelo menos dois meses atrasado em seu cronograma. Na semana passada, o embaixador da Rússia nas Nações Unidas, Vitali Churkin, disse que apesar das reservas do governo americano, as coisas "estavam andando".

Irã. Obama e Hollande ressaltaram a vontade de enfrentar "juntos" os grandes desafios globais, como o terrorismo, a proliferação nuclear, as crises no Oriente Médio e na África e as mudanças climáticas. O americano criticou, porém, as companhias que violam as sanções internacionais e fazem negócios com o Irã. Na semana passada, o governo Obama abriu um processo contra uma série de empresas da Europa e do Oriente Médio que desrespeitaram as sanções. Hollande disse ter alertado os empresários franceses sobre a situação.

Tema de atrito entre Paris e Washington ano passado, a espionagem dos serviços de inteligência americanos foi mencionada de passagem na entrevista. Obama disse que os EUA não têm nenhum acordo de "não espionagem" com nenhum país, mas respeitarão os diretos à privacidade dos cidadãos. Hollande encerra a visita hoje. O americano prometeu retribuir com uma ida à França em junho para as comemorações dos 70 anos do Dia D, quando as forças aliadas desembarcaram na Normandia, em 6 de junho de 1944.

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