Obama promete cooperar com oposição, mas com limites

Presidente americano reconheceu a grande vitória republicana nas eleições legislativos e disse ter escutado a mensagem dos eleitores

O Estado de S. Paulo

05 de novembro de 2014 | 19h45

WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, reconheceu nesta quarta-feira a grande vitória republicana nas eleições legislativos de ontem e assegurou ter escutado a mensagem dos eleitores, e também a dos cidadãos que preferiram ficar em casa. "A todos que votaram, eu os escutei. E aos quase dois terços de americanos que decidiram não votar, também os escutei", disse o presidente em entrevista coletiva convocada por causa do resultado eleitoral.

Obama disse que "os americanos enviaram uma mensagem clara": "Devemos trabalhar duro e nos concentrar em seus desejos e não nos nossos." Mesmo assim, ele prometeu ir adiante com ações unilaterais sobre a imigração, apesar da forte oposição republicana.

O mandatário ainda disse que vai apoiar ações sem se basear em suas origens, se vieram de democratas ou republicanos, mas pensando em como beneficiarão os cidadãos americanos. "Quero trabalhar com o novo Congresso, trabalharemos juntos nos próximos dois anos" de mandato, afirmou.

Obama, que admitiu que os republicanos "tiveram uma boa noite", garantiu ter recebido a mensagem que os americanos emitiram nesta terça-feira com seu voto e que passará "cada momento dos próximos dois anos trabalhando" pelo progresso dos Estados Unidos.

Os americanos "esperam que as pessoas que eles elegeram trabalhem tão duro como eles fazem diariamente. E eu tenho uma responsabilidade única", acrescentou.

O presidente reconheceu ter tido "a talvez inocente confiança" em que concentrar-se em "trabalhar para as pessoas" fosse suficiente, e não avaliou apropriadamente a importância da imagem de sua Administração.

"Querem que eu pressione mais forte para fechar algumas dessas divisões (entre republicanos e democratas), para romper esses bloqueios e conseguir fazer as coisas", ressaltouObama, que acrescentou que, para isso, será fundamental encontrar áreas comuns.

"Não vai haver uma adequação perfeita, algumas ideias que eu tenho são boas para a economia, mas os republicanos não estão de acordo, e eles terão ideias que acreditam que ajudarão à economia, mas eu não acho que ajudem à classe média. Mesmo assim, considero que haverá áreas nas quais poderemos estar de acordo", comentou.

Os republicanos conquistaram ontem o controle da totalidade do Congresso após recuperar a maioria do Senado, que permanecia sob poder dos democratas há oito anos, o que obrigará Obama a trabalhar com um Legislativo contrário a suas políticas durante os dois últimos anos de seu mandato.

O presidente assegurou que a cada dia procura a maneira de melhorar a capacidade de comunicação para trabalhar com o Congresso, mas advertiu que nem por isso seus princípios vão mudar. / EFE

 

Mais conteúdo sobre:
EUAeleições

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.