Obama promete leis mais duras para controlar a venda de armas em 2013

Ecos de Newtown. Em entrevista, presidente critica o lobby armamentista americano e garante que o primeiro ano de seu segundo mandato será marcado pelo esforço para aprovar um pacote de medidas que restrinjam a compra e o porte de armamento no país

GUSTAVO CHACRA, CORRESPONDENTE / NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

31 de dezembro de 2012 | 02h06

Em entrevista para a rede de TV americana NBC, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou ontem que pretende implementar medidas mais duras para o controle da venda e do porte de armas durante o primeiro ano de seu segundo mandato. Obama também criticou as propostas feitas pela Associação Nacional de Rifles (NRA, na sigla em inglês), como é conhecido o lobby pró-armas no país.

"Quero isso concluído no meu primeiro ano (do segundo mandato, que se inicia em janeiro). Apresentarei uma proposta específica com base nas recomendações da força-tarefa liderada por Joe Biden (vice-presidente). Não será algo que eu deixarei de lado", disse Obama ao programa Meet the Press, da NBC.

Depois do ataque contra uma escola Sandy Hook, na cidade de Newtown, no Estado de Connecticut, no início do mês, quando 20 crianças e seis adultos foram massacrados por um jovem que portava um fuzil AR-15 e outras armas pesadas, o presidente designou o seu vice para elaborar um projeto que tente coibir o uso de armas nos Estados Unidos.

Desde a posse de Obama, em 2009, houve 15 episódios de assassinatos em massa nos Estados Unidos. Entre eles, estão o ataque que matou seis pessoas e feriu a ex-deputada democrata Gabrielle Giffords, do Arizona, em janeiro de 2011, e uma ação durante a exibição do filme do Batman em Aurora, no Colorado, em setembro, além do massacre de Newtown.

Violência. Em resposta a uma proposta da NRA, que recomenda a colocação de guardas armados nas escolas, Obama afirmou estar "cético". "Acredito que a ampla maioria da população americana também está cética e não acredita que essa seja a melhor alternativa para resolver o problema", afirmou.

De acordo com a Segunda Emenda da Constituição dos Estados Unidos, os americanos têm o direito de portar armas. Os Estados - e mesmo o governo federal -, entretanto, podem impor algumas restrições. Entre 1994 e 2004, por exemplo, eram proibidas armas semiautomáticas de assalto, como o fuzil AR-15, em todo o país.

Os opositores de leis mais duras, como a NRA, argumentam que as restrições ao uso de armas não impedirão novos ataques e citam como exemplos os casos de Columbine, no Colorado, onde havia a proibição de armas de ataque, e os atentados de Oslo, na Noruega, em 2011.

Já os defensores de um maior controle no comércio de armas argumentam que a atual legislação permite que pessoas como o assassino Adam Lanza (de Newtown) e James Holmes (de Aurora) consigam fácil acesso a armamento pesado.

"Direi ao povo americano como é importante (essa nova legislação) e os motivos para assegurarmos que algo como o ataque na escola Sandy Hook não ocorra novamente. Muitos perguntam se este será mais um dos episódios que recebem atenção por algumas semanas e depois é esquecido. Eu, certamente, não sinto que seja assim", disse Obama. Segundo ele, esse foi "o pior dia" de sua presidência.

No entanto, especialistas dizem que a questão do direito de portar armas será uma batalha difícil para Obama. A NRA possui aliados tanto entre os republicanos, que controlam a Câmara, como no Partido Democrata, do presidente, que tem maioria no Senado. O que dificulta ainda mais a tarefa é o fato de qualquer alteração constitucional nos EUA precisar da aprovação de três quartos dos Estados.

Uma análise divulgada meses atrás pela revista Mother Jones afirma que houve 61 chacinas como a de Newtown nos EUA nos últimos 30 anos - ataques que mataram pelo menos mais de três pessoas. Segundo a revista, das 139 armas usadas pelos assassinos, mais de 75% foram obtidas legalmente. Segundo estimativas da NRA, mais de 300 milhões de armas estão atualmente nas mãos da população americana, que é de 270 milhões de pessoas.

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