Obama promove direitos dos gays em visita à África

Presidente dos EUA afirmou que o reconhecimento da união homossexual deveria cruzar fronteiras

O Estado de S. Paulo,

27 Junho 2013 | 11h40

DACAR, SENEGAL - O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, iniciou nesta quinta-feira, 27, uma visita de uma semana a África, começando pelo Senegal. Ele elogiou a decisão da Suprema Corte de seu país, tomada no dia anterior, a respeito do casamento gay como "uma vitória para a democracia americana", mas entrou em confronto com seu anfitrião senegalês a respeito dos direitos dos homossexuais.

Obama disse que o reconhecimento das uniões entre pessoas do mesmo sexto nos EUA deveria cruzar fronteiras e que os direitos igualitários deveriam ser reconhecidos universalmente. Foi a primeira chance do presidente americano de falar sobre a decisão, que foi divulgada quando ele viajava para o Senegal, um dos vários países africanos onde a homossexualidade é considerada crime.

O presidente senegalês, Macky Sall, rejeitou o pedido de Obama para que os africanos concedam direitos iguais aos gays perante a lei. "Ainda não estamos prontos para descriminalizar a homossexualidade", disse Sall, ao mesmo tempo em que afirmava que o país é "muito tolerante" e precisa de mais tempo para digerir a questão, sem pressão. "Isso não significa que somos homofóbicos."

Relatório divulgado na segunda-feira pela Anistia Internacional diz que 38 países africanos criminalizam a homossexualidade. Em quatro deles - Mauritânia, norte da Nigéria, sul da Somália e Sudão - a punição é a morte e aparentemente a medida conta com amplo apoio popular.

Levantamento divulgado pelo Centro de Pesquisas Pew em junho mostrou que pelo menos 9 a cada 10 pesquisados no Senegal, Quênia, Gana, Uganda e Nigéria acreditam que a homossexualidade não deve ser aceita pela sociedade.

Sall procurou tranquilizar Obama e disse que os gays não são perseguidos no Senegal. Pela lei senegalesa, "um ato indevido ou não natural com uma pessoa do mesmo sexo" é passível de punição com até cinco anos de prisão.

O foco de Obama no Senegal está nas conquistas do dia a dia da ex-colônia francesa, após meio século de independência. Sall derrubou o antigo presidente, que tentou mudar a constituição para facilitar sua reeleição e abrir caminho para que seu filho o sucedesse. A medida resultou em protestos que levaram à eleição de Sall.

"O Senegal é uma das democracias mais estáveis da África e um dos mais fortes parceiros que temos na região", disse Obama. "O país se move na direção certa, com reformas para aprofundar as instituições democráticas."

Escravidão. No primeiro compromisso dos seus oito dias de viagem, Obama levou a família à Casa dos Escravos, um forte construído no final do século 18 na ilha de Gorée, na costa senegalesa. Aquele era um local de trânsito por onde passaram milhões de africanos a caminho da escravidão nas Américas e hoje funciona como museu.

Muitos africanos sentem um vínculo com Obama, que é filho de um queniano já falecido, mas manifestam frustração com o fato de ele não ter mantido com o continente o mesmo envolvimento que seus antecessores, George W. Bush e Bill Clinton.

Durante seu primeiro mandato, a única visita de Obama à África foi uma parada de um dia em Gana, e muitos africanos estavam impacientes para que ele fizesse uma viagem mais prolongada.

"É um verdadeiro prazer para nós que o mundo tenha avançado a ponto de que um homem negro possa ser presidente dos Estados Unidos", disse o alfaiate Abdoul Azi Signane, que comprava uma camiseta com a imagem de Obama numa loja de Dacar, a capital do Senegal. "Isso nos deixa muito orgulhosos. Por isso vim comprar a camiseta, para poder recepcioná-lo e dizer: ‘Amamos você, Obama, muito'." / AP e REUTERS

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