Obama propõe aumento de imposto para os ricos em discurso sobre União

Campanha. Usando ato como palanque para as eleições de novembro, presidente americano também abordou a necessidade de reforma para expandir investimento público no desenvolvimento de energia verde e ameaçou, indiretamente, usar a força contra o Irã

DENISE CHRISPIM MARIN , CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

25 de janeiro de 2012 | 03h00

Diante do risco de pronunciar seu último discurso sobre o Estado da União, na noite de ontem nos EUA, o presidente americano, Barack Obama, atacou os dois maiores inimigos de sua reeleição, em novembro - a economia fraca e a insatisfação do eleitorado democrata com seu governo.

No plenário do Congresso, Obama defendeu o aumento dos impostos sobre a renda dos mais ricos e a expansão de incentivos do governo ao preparo da mão de obra e aos setores de energia verde e da indústria de manufaturas. A agenda externa foi sublinhada com a ameaça, indireta, de uso da força militar para evitar que o Irã construa armas nucleares. Obama deixou claro que seu governo "não descartará nenhuma das opções sobre a mesa para alcançar esse objetivo". Igualmente destacou que a retirada de tropas do Afeganistão continuará e indicou não ter dúvidas da queda, em breve, do regime de Bashar Assad, na Síria.

"Nós não voltaremos a uma economia enfraquecida pela terceirização, pelas dívidas incobráveis e pelos falsos lucros financeiros", afirmou Obama, ao anunciar seu propósito neste ano de "traçar um plano para uma economia feita para durar".

"Não nos esqueçamos nunca: milhões de americanos que trabalham duro e conforme as regras todos os dias merecem um governo e um sistema financeiro que façam o mesmo. É hora de aplicar as mesmas regras de cima para baixo: não aos resgates, não às benesses, não aos subterfúgios. Uma América construída para durar insiste na responsabilidade de todos."

Como manda a tradição, Obama iniciou seu discurso no plenário do Congresso às 21 horas (meia-noite de Brasília).

Por meio de um e-mail assinado por "Barack", enviado por sua campanha de reeleição, o presidente informou sua intenção de propor uma "economia que funcione para todos". Abaixo, estava o link para uma doação a sua campanha.

Com seu discurso, Obama tentaria convencer o eleitor-contribuinte a ver o pleito de novembro como uma escolha entre a agenda democrata e a lei do Estado mínimo proclamada pelos pré-candidatos republicanos - não como o referendo de seu governo. Sua proposta mais emblemática nesse sentido foi a de reforma na tributação federal, para acabar com os benefícios fiscais para os contribuintes com renda superior a US$ 370 mil por ano. Em três ocasiões, desde dezembro de 2010, Obama teve de recuar nesse tópico caro aos democratas para evitar a paralisia de seu governo pelo Congresso, dominado pelos republicanos.

Desta vez, Obama terá duas razões para não ceder mais nessa via este ano, mesmo sob o risco de governar sem recursos. Primeiro, mais um recuo será lido pelos democratas como nova concessão à agenda da oposição. Como a vitória nas eleições presidenciais americanas depende da capacidade de o candidato trazer os delegados de seu partido para as urnas, a Casa Branca terá nesse tema uma chave importante para o segundo mandato.

Segundo, Obama terá em seu potencial adversário, o ex-governador de Massachusetts Mitt Romney, o maior exemplo da injustiça do atual modelo tributário (mais informações nesta página).

A distinção da agenda do atual governo democrata e a dos pré-candidatos republicanos foi enfatizada igualmente quando Obama mencionou a necessidade de aumento de incentivos à energia verde e às manufaturas, mesmo sob o risco de aumento do endividamento americano. Trata-se de uma equação abominável para o Partido Republicano.

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