Obama quer acelerar retirada do Afeganistão

Em reunião com Karzai na Casa Branca, presidente diz que Exército local já controla 80% do território afegão e força residual no país será pequena

DENISE CHRISPIM MARIN , CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

12 de janeiro de 2013 | 02h00

O presidente dos EUA, Barack Obama, disse ontem, após se reunir com seu colega afegão Hamid Karzai, na Casa Branca, que pretende acelerar a retirada de tropas do Afeganistão nos próximos meses. O motivo é a melhora no desempenho das forças de segurança afegãs observadas nos últimos meses contra o Taleban e outra milícias islâmicas.

Em comunicado conjunto, os dois presidentes afirmaram que as forças de segurança afegãs controlam 80% do país. Em abril, essa porcentagem deve subir para 90%. A partir do meio do ano, as tropas americanas e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) passarão a ter um papel consultivo. Obama ressaltou que, apesar de a transferência da segurança do Afeganistão para suas autoridades ser acelerada, a missão americana contra a Al-Qaeda prosseguirá.

"Nós ainda enfrentamos desafios. Mas a transição está no caminho certo, com uma missão diferente. Na primavera (outono no Brasil), nossas tropas darão treinamento, conselhos e assistência às forças afegãs", declarou o presidente americano.

Ainda de acordo com o presidente, o país deve deixar um número relativamente pequeno de soldados no Afeganistão a partir de janeiro de 2015. Esses militares serão responsáveis, principalmente, pelo treinamento de policiais afegãos e por missões contra grupos terroristas que atuam no país.

"É um missão muito limitada, que não necessitará do mesmo impacto que a nossa presença teve nos últimos dez anos no Afeganistão", afirmou Obama.

Ao lado do americano, o presidente afegão disse que caberá a Washington decidir o tamanho da tropa residual que permanecerá em seu país. "Números não farão diferença na situação afegã", disse Karzai.

Nos bastidores, no entanto, funcionários afegãos dizem que Cabul espera contar com ao menos 15 mil soldados americanos a partir de 2015. A Casa Branca trabalha com um número mais modestos, entre 3 mil e 9 mil homens. Atualmente, há 100 mil soldados estrangeiros no país, dos quais 66 mil são americanos.

Obama disse que para formalizar o número de soldados residuais no Afeganistão seria necessário estabelecer garantias de imunidade legal para os militares americanos. Karzai, por sua vez, vinculou essa concessão à entrega de prisões que abrigam suspeitos de terrorismo ao controle afegão, o que, segundo ele, foi acertado com a Casa Branca.

"Com essas questões resolvidas, como fizemos hoje, posso negociar com o povo afegão uma imunidade para os soldados americanos que não fira a soberania e as leis do país", afirmou. Karzai prometeu ainda priorizar as negociações de paz com o Taleban.

De acordo com o presidente afegão, a abertura de um escritório do Taleban no Catar deve favorecer a negociação de um processo de paz. Para ele, o grupo radical islâmico está engajado na retomada dessas conversas.

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