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Obama quer guerra de ideias contra Estado Islâmico

Presidente discursa no terceiro e último dia de um cúpula para discutir estratégias de combate à ideologia de grupos radicais

Cláudia Trevisan, de Washington / Correspondente, O Estado de S. Paulo

19 de fevereiro de 2015 | 15h18

WASHINGTON - O presidente Barack Obama conclamou líderes religiosos, membros da sociedade civil e representantes de 60 países reunidos em Washington a empreenderem uma guerra de ideias contra o Estado Islâmico (EI) e a atacarem as circunstâncias que levam ao surgimento de grupos terroristas, entre as quais citou a ausência de democracia, a corrupção e a exclusão social das mulheres.


Na plateia, estavam integrantes de governos de países não-democráticos, como a Arábia Saudita, que nega à parcela feminina da população muitos dos direitos detidos pelos homens. O discurso de Obama foi realizado no terceiro e último dia de um cúpula convocada para discutir estratégias globais de combate à ideologia extremista propagada por grupos radicais como o EI.

Para o presidente, a guerra de ideias é tão importante quanto a ofensiva militar que tenta deter o avanço da organização no Iraque e na Síria. Em uma tentativa de enfraquecer a narrativa que opõe o Ocidente ao mundo islâmico, Obama não falou em nenhum momento de “extremismo muçulmano” e repetiu que os grupos radicais não devem ser tratados como representantes da religião, mas sim como terroristas. Segundo ele, a noção de que o Ocidente está em guerra com o Islã é uma “feia mentira”.

Obama afirmou que o combate de ideias deve ser travado principalmente pelas próprios islâmicos. “Comunidades muçulmanas, incluindo intelectuais e clérigos, têm a responsabilidade de refutar não apenas interpretações deturpadas do Islã, mas também a mentira de que estamos de alguma em um choque de civilizações, de que a América e o Ocidente estão em guerra com o Islã ou buscam suprimir muçulmanos. Ou que somos a razão de todos os problemas no Oriente Médio.”

Parte importante desse combate se dá no universo digital, onde o EI tem sido bem sucedido em seu esforço de propaganda, especialmente nas redes sociais. As dificuldades para o combate do extremismo na internet foram ressaltadas por Obama em discurso que fez anteontem a líderes da sociedade civil: “Para as pessoas mais velhas aqui, as suas coisas são chatas comparadas ao que eles estão fazendo. Vocês não estão conectados. Como consequência, vocês não estão conectando.”

Ontem, o presidente anunciou a criação de uma plataforma de comunicação conjunta com os Emirados Árabes Unidos, que tentará contrapor os esforços de recrutamento e radicalização de grupos como o EI.

O apelo do extremismo é evidenciado pelo fluxo de combatentes estrangeiros que se uniram ao grupo desde o ano passado. A estimativa do governo americano é que 20 mil pessoas de outros países se juntaram às fileiras do EI na Síria e no Iraque. Pelo menos 3.000 deles são europeus.

Do lado dos Estados Unidos, o combate ideológico será liderado por Rashad Hussain, que assumirá o recém-criado cargo de Enviado Especial e Coordenador para Comunicações Estratégicas Contra o Terrorismo. Sua função será coordenar diferentes áreas do governo americano em seus esforços para expandir e fortalecer a cooperação internacional de combate à narrativa extremista.

A uma plateia integrada por muitos representantes de países árabes, Obama afirmou que a democracia –com eleições livres- e a liberdade religiosa são essenciais para enfrentar o sentimento de exclusão política que favorece o radicalismo. “Quando as pessoas são oprimidas e direitos humanos são negados, particularmente ao longo de linhas sectárias ou étnicas, quando o dissenso é silenciado, isso alimenta o extremismo violento”, declarou. 

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