Obama quer lei para controlar a venda de armas nos EUA

Presidente cria comissão para elaborar o projeto de legislação e formular outras medidas para conter a violência armada

DENISE CHRISPIM MARIN, CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

20 de dezembro de 2012 | 02h07

O presidente dos EUA, Barack Obama, criou ontem uma comissão para formular, até meados de janeiro, uma proposta de lei de controle de venda de armas e outras medidas necessárias para, segundo ele, acabar com a "violência armada epidêmica" no país. Obama afirmou que o controle da violência será a prioridade de seu segundo mandato e abordará o tema no seu discurso mais importante de 2013, o Estado da União, em janeiro no Congresso.

A comissão será liderada pelo vice-presidente Joe Biden, cuja ação no Senado Federal concentrou-se particularmente nesse tema. Biden foi um dos entusiastas da lei de proibição da venda de armas de assalto, como os fuzis, em 1994. Mas, dez anos depois, não conseguiu os votos necessários para a prorrogação da medida. A arma usada por Adam Lanza para matar 20 crianças e 6 adultos na escola primária Sandy Hook, em Newtown, era uma dessas.

A declaração de Obama à imprensa, ontem, foi a terceira desde o massacre de Newtown. No domingo, em cerimônia pelas vítimas, ele prometera "fazer o possível" para impedir a repetição daquela violência. Ontem, Obama listou para imprensa oito mortes causadas por disparos com armas de fogo em cinco cidades dos EUA desde sexta-feira, quando ocorreu a tragédia de Newtown.

"Cada um desses americanos foi vítima da violência diária, que acaba com as vidas de mais de 10 mil americanos a cada ano. Não podemos aceitar essa violência como rotina", afirmou.

Ex-professor de Direito Constitucional, Obama teve o cuidado de não arranhar o conteúdo da 2.ª Emenda da Constituição dos EUA, que garante o direito de porte de armas aos civis. Mas destacou o fato de a maioria dos americanos apoiar a proibição da venda de armas de assalto e de carregadores de alta capacidade, como os usados por Lanza. Assinalou ainda que medidas na área de saúde mental e de educação também devem constar no relatório final da comissão coordenada por Biden.

A iniciativa de Obama imediatamente recebeu o apoio do prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, conhecido defensor do controle de armas no país. A Campanha Brady para a Prevenção da Violência Armada, uma ONG que tinha dado nota zero para Obama no quesito controle de armas, disse estar contente com o anúncio do presidente.

Mas Obama ainda não conseguiu reverter a sua imagem de líder omisso na questão da violência. Durante seu primeiro mandato, quatro grandes massacres ocorreram no país. Apenas depois do último, em Newtown, ele reagiu. Questionado pela imprensa sobre "onde estava nesses quatro anos", Obama afirmou que tivera de lidar com o colapso do setor financeiro, com a crise na indústria automotiva, com a reforma da Saúde e outros assuntos maiores. "Eu não estava de férias", afirmou. No Congresso, a bancada republicana continua reticente em aprovar medidas de controle da venda de armas.

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