Obama quer mais ajuda da região para o Afeganistão

Nova estratégia do presidente prevê uma ampla aliança que incluiria Rússia, China, Irã e Índia

REUTERS, AFP E AP, O Estadao de S.Paulo

28 de março de 2009 | 00h00

O presidente dos EUA, Barack Obama, anunciou ontem sua nova estratégia para o Afeganistão, com base em uma ampla aliança regional e um compromisso maior de países interessados em consolidar a segurança na região. Obama quer formar uma coalizão que incluiria Irã, Rússia, Índia e China, além dos tradicionais aliados da Otan."A ideia é criar, juntamente com a ONU, um ?grupo de contato? para Afeganistão e Paquistão que reúna todos países que têm interesse na segurança da região, não só nossos aliados da Otan, mas também outros parceiros, como nações da Ásia Central, do Golfo Pérsico, Irã, Rússia, Índia e China", disse Obama. "De nossos parceiros e aliados da Otan, não buscamos simplesmente soldados, mas prioridades claramente definidas: apoiar as eleições afegãs, treinar as forças de segurança do país e um maior compromisso civil com a população afegã."No discurso em que detalhou sua nova estratégia, o presidente pediu que o Paquistão seja um sócio mais firme na luta contra o Taleban e outros grupos radicais que dão abrigo à Al-Qaeda nas áreas tribais paquistanesas. "A situação está cada vez mais perigosa na região. A Al-Qaeda está ativamente planejando ataques contra os EUA a partir do Paquistão", disse.Além de tentar ampliar a aliança regional dos EUA, Obama voltou a prometer um aumento de forças americanas na região e o envio de autoridades civis ao Afeganistão. O presidente afirmou que sua prioridade é "desmantelar" refúgios da Al-Qaeda e do Taleban.O discurso de Obama foi bem recebido pelos principais atores regionais. O Irã concordou que os países da Ásia Central devam ter um papel importante no Afeganistão. O vice-chanceler iraniano, Mohamed Ahundzadeh, disse que a região precisa de novas ideias. "As pessoas já estão fartas da violência. Precisamos de uma solução em que os atores regionais tenham um papel mais relevante." O presidente afegão, Hamid Karzai, elogiou a nova estratégia: "O plano coloca o Afeganistão e a comunidade internacional mais perto do sucesso." O chanceler russo, Serguei Lavrov, também ofereceu ajuda. "O tráfico de drogas no Afeganistão tornou-se uma ameaça para a segurança da região", disse. "A Rússia está pronta para uma participação mais ativa para normalizar a situação no Afeganistão." A Rússia é hoje o maior consumidor da heroína produzida no Afeganistão. De acordo com dados oficiais, 12 toneladas de heroína entram anualmente no país pela fronteira afegã, o suficiente para 3 bilhões de doses da droga. A única voz destoante foi a do Taleban. O mulá Hayat Khan, comandante militar do grupo extremista, ironizou o plano americano. "Enviar mais soldados para o Afeganistão não fará a menor diferença", disse, em entrevista à agência Reuters.O presidente paquistanês, Asif Ali Zardari, elogiou o plano de Obama de dar a seu país US$ 1,5 bilhão anual em ajuda civil em troca de um maior empenho para combater a insurgência. Ontem, o chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas dos EUA, Michael Mullen, acusou membros da inteligência e do serviço secreto paquistanês de apoiar o Taleban e a Al-Qaeda. "Isso é uma das coisas que têm de mudar", disse Mullen.

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