Obama quer que AIEA tenha posição mais dura com o Irã

Pressão contra Teerã seria promessa do presidente a israelenses e palestinos para volta do processo de paz

, O Estadao de S.Paulo

27 de agosto de 2009 | 00h00

Com o apoio de aliados europeus, o governo americano aumentou a pressão sobre a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) para que o organismo da ONU ateste que o Irã está próximo de conseguir tecnologia nuclear com fins militares. Washington avalia que o alerta da agência pode mobilizar apoio internacional para um novo pacote de sanções contra Teerã.Ontem, o jornal britânico The Guardian revelou que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciará uma conferência de paz entre palestinos e israelenses no fim de setembro, quando os principais líderes mundiais estarão no país para a abertura da Assembleia-Geral da ONU, em Nova York, e para a cúpula do G-8, em Pittsburgh. Os EUA teriam prometido fechar o cerco ao Irã para conquistar o apoio de Israel, da Autoridade Palestina e de países árabes.Dentro da AIEA a nova ofensiva de Washington teria intensificado os debates sobre como lidar com o programa nuclear iraniano. A agência quer explicações de Teerã sobre documentos e arquivos de computador que provariam o objetivo militar do programa.RESISTÊNCIASob condição de anonimato,funcionários da AIEA disseram que o diretor da agência, Mohamed ElBaradei, tenta resistir às pressões dos Estados Unidos, temendo que o endurecimento com o governo de Teerã seja interpretado como um gesto de submissão aos interesses de Washington. Após 12 anos na chefia da AIEA, ElBaradei deixará o cargo em novembro e será substituído pelo japonês Yukiya Amano. Em julho, Amano havia afirmado não "ver nenhum indício nos documentos da agência" de que o Irã esteja próximo de adquirir armas nucleares.Os Estados Unidos querem restringir as exportações iranianas de petróleo e gás e as importação de combustível refinado, mas China e Rússia - que têm poder de veto no Conselho de Segurança da ONU - são contra o embargo. Washington acredita que uma nova posição da AIEA pode alterar o cenário.THE NEW YORK TIMES

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