Obama quer US$ 3,7 bi para crianças na fronteira dos EUA

O presidente Barack Obama pediu ao Congresso nesta terça-feira US$ 3,7 bilhões para enfrentar a grande quantidade de menores, provenientes da América Central, que estão cruzando ilegalmente a fronteira entre México e Estados Unidos, sobrecarregando os recursos destinados a esses casos além de provocar uma tempestade política em Washington.

Agência Estado

08 de julho de 2014 | 14h33

A Casa Branca disse que o dinheiro poderá ajudar aumentar as instalações para detenção, os cuidados e o transporte de crianças desacompanhadas e ajudar acelerar a remoção de adultos com crianças ao elevar a capacidade dos tribunais de imigração e a perseguição às redes de traficantes que levam essas pessoas até a fronteira. Os recursos seriam usados para melhorar a vigilância na fronteira norte-americana e ajudar países da América Central a repatriar cidadãos devolvidos pelos Estados Unidos.

O pedido, que foi detalhado nesta terça-feira por funcionários da Casa Branca, representa o mais agressivo esforço do governo Obama para o que o presidente chamou de "desafio humanitário urgente". A proposta da Casa Branca coloca o presidente numa posição incômoda, já que pede mais funcionários para instalações de detenção para reprimir a chegada ilegal de imigrantes ao mesmo tempo em que ele espera assinar uma liberalização da lei de imigração.

Obama planeja discutir a crise com líderes religiosos e locais durante um evento para arrecadação de fundos de campanha na quarta-feira, no Texas, mas tem resistido aos pedidos para visitar a fronteira para ver com os próprios olhos o que tem acontecido por lá. A Casa Branca convidou o governador do Texas, o republicano Rick Perry, que está entre os que pedem a Obama que vá à fronteira enquanto ele está no cargo, para o evento que acontece quarta-feira em Dallas.

A maior parte do dinheiro solicitado, US$ 1,8 bilhão, deve ir para o Departamento de Saúde e Serviços, encarregado de abrigar as crianças que cruzam a fronteira sozinhas até que as autoridades consigam colocá-las sob os cuidados de padrinhos, geralmente famílias que vivem nos Estados Unidos. Pela lei norte-americana, essas crianças permanecem com seus padrinhos até que o processo de deportação de desenrole.

O governo também pede US$ 879 milhões para deter e processar adultos que viajam com crianças. Hoje, os Estados Unidos têm apenas uma instalação de detenção, localizada na Pensilvânia, que pode abrigar famílias e onde podem ser acolhidas menos de 100 pessoas. Como resultado, praticamente todos os adultos que viajam com crianças são libertados e informados que devem se apresentar ao tribunal imigratório posteriormente.

Os menores têm cruzado a fronteira em números recorde nos últimos meses, sendo que mais de 52 mil crianças chegaram desde outubro do ano passado.

O pedido de recursos vai enfrentar um caminho duro no Congresso. Muitos republicanos são céticos sobre o envio de tanto dinheiro, particularmente se não for compensado por outros cortes de gastos, e muitos democratas resistem ao foco das medidas na detenção de famílias e crianças, mesmo que tenham entrado no país ilegalmente. Defensores de imigrantes argumentam que o foco do governo deveria ser o bem-estar das crianças que fogem da violência na América Central.

Funcionários da Casa Branca descreveram o pedido do presidente como "a resposta do governo" com o objetivo de enviar uma mensagem clara para conter o cruzamento de imigrantes ilegais pela fronteira. "Crianças que não se qualificarem para ajuda humanitária serão devolvidas e buscamos seu retorno de forma eficiente", disseram funcionários federais.

Autoridades responsabilizam as redes de tráfico humano por espalharem informações falsas de que as crianças poderão permanecer no país. A Casa Branca adotou um tom mais duro nos últimos dias, enfatizando que aqueles que não se qualificarem para ajuda humanitária serão enviados de volta para seus países de origem.

O presidente disse ao Congresso na semana passada que quer mudar a lei atual para que o governo possa enviar as criança de volta mais rapidamente. Enquanto a maior parte das pessoas que cruza a fronteira ilegalmente é rapidamente deportada, uma lei de 2008 prevê regras diferentes para crianças de países que não são contíguos aos Estados Unidos. Essas crianças são colocadas sob o cuidado de padrinhos nos Estados Unidos enquanto aguardam um tribunal ouvir seus casos de deportação, espera que pode se estender por anos. Fonte: Associated Press e Dow Jones Newswires.

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