Obama recebe caixões de mortos em Benghazi

'O sacrifício deles jamais será esquecido', diz presidente americano diante do corpo de embaixador na Líbia; Hillary cobra proteção a representações

DENISE CHRISPIM MARIN, CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

15 de setembro de 2012 | 03h01

Em uma cerimônia carregada de emoção - e em tempos de campanha -, o presidente Barack Obama recebeu ontem os quatro caixões, envoltos na bandeira dos EUA, dos funcionários americanos assassinados na cidade líbia de Benghazi, incluindo o embaixador Christopher Stevens. Obama garantiu que os EUA "não recuarão" e "o sacrifício deles jamais será esquecido".

"Nós traremos à Justiça aqueles que tomaram as suas vidas e continuaremos firmes diante da violência contra nossas missões diplomáticas", afirmou o presidente, ao receber os caixões na Base Aérea de Andrews, ao lado de parentes das vítimas, da secretária de Estado Hillary Clinton e de várias autoridades.

Hillary voltou a exigir que os governos de países onde ocorrem os distúrbios assegurem a integridade das representações americanas. A secretária de Estado reconheceu que "dias mais difíceis virão pela frente" e qualificou de "totalmente inaceitável" a violência contra interesses americanos. "Os povos do Egito, da Líbia, do Iêmen e da Tunísia não trocaram a tirania de um ditador pela tirania de uma multidão", afirmou.

"Pessoas razoáveis e líderes responsáveis precisam fazer todo o possível para restaurar a segurança e fazer com que as pessoas por trás desses atos violentos prestem contas. É importante não perder de vista o fato fundamental de que os EUA têm de continuar liderando o mundo", completou Hillary. Ontem, 50 marines chegaram ao Iêmen para reforçar a segurança dos prédios do governo americano.

Ao contrário do que afirmam vários especialistas, o governo negou ontem que grupos fundamentalistas islâmicos estejam por trás dos ataques. O porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, afirmou que a única razão da onda de protestos é o filme Inocência dos Muçulmanos, postado na internet, que mostra Maomé como bissexual e pedófilo.

"Isso não é um protesto direto contra os EUA, em larga escala, nem contra a política externa americana. Isso é uma resposta a um vídeo ofensivo", afirmou Carney. "Nós nos colocamos claramente contra esse vídeo e o condenamos."

O porta-voz do Conselho de Segurança Nacional, Tommy Vietor, informou que o governo entrou em contato com o YouTube e pediu para a empresa verificar "se o filme viola os termos de uso" da empresa. Até ontem, o vídeo não havia sido removido.

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