AFP PHOTO / LOBSANG WANGYAL
AFP PHOTO / LOBSANG WANGYAL

Obama recebe Dalai Lama na Casa Branca

Governo chinês espera que visita do líder tibetano não questione o apoio de Washington à política de uma só China

O Estado de S. Paulo

15 Junho 2016 | 12h33

WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, receberá na Casa Branca o líder espiritual budista Dalai Lama, após o governo chinês advertir que espera que a visita não questione o apoio de Washington à política de uma só China, sustentada por Pequim.

A residência presidencial informou em sua agenda diária que o encontro estava previsto para esta quarta-feira, 15, às 10h15 locais (11h15 em Brasília) na Sala dos Mapas.

O líder religioso tibetano já está em Washington, onde se reuniu com vários políticos do Congresso, tanto democratas como republicanos, e fez um discurso no Instituto da Paz, lugar no qual começou fazendo um minuto de silêncio pelas vítimas do massacre ocorrido no fim de semana em uma casa noturna de Orlando, frequentada pelo público LGBT.

"Como uma figura reverenciada pelos tibetanos e por gente no mundo todo, sua santidade (o Dalai Lama) nos lembra nossa grande responsabilidade de agir para defender os direitos humanos, promover a igualdade e proteger o meio ambiente", disse em comunicado a líder da minoria democrata na Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi.

"Sua amizade com os Estados Unidos e o respeito que desperta em líderes dos dois (principais) partidos servem de poderoso tributo à justiça da causa da autonomia do Tibete", apontou.

Pelosi também acrescentou: se "os defensores da liberdade não nos pronunciamos contra a opressão no Tibete, renunciamos a nossa autoridade moral para falar em nome dos direitos humanos em qualquer parte do mundo".

Por sua vez, o governo chinês advertiu o americano que espera que as visitas de Dalai Lama e da presidente de Taiwan não coloquem em dúvida o apoio de Washington à política de uma só China.

"Esperamos que o governo dos Estados Unidos cumpra seus compromissos e não envie sinais equivocados aos que tentam dividir a China", afirmou um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Lu Kang, em entrevista coletiva.

Ele lembrou que o governo americano fez "um compromisso sério" com a política de uma só China, defendida por Pequim, e reiterou que o governo chinês espera que o americano o "cumpra".

Além disso, o porta-voz chinês manifestou reservas à presença, em Washington, do Dalai Lama, considerado por Pequim alguém que dirige o separatismo tibetano.

"Pedimos a todos os governos que não deem ao Dalai Lama a oportunidade de realizar atividades independentistas", afirmou. /EFE

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.