Obama recebe hoje o presidente chinês na Casa Branca

Principais colaboradores do presidente americano indicam que ele pretende reduzir tensão bilateral, mas ser firme com Hu

Denise Chrispim Marin, O Estado de S.Paulo

19 de janeiro de 2011 | 00h00

Em franca disputa pela hegemonia na Ásia, líderes dos Estados Unidos e da China terão hoje sua segunda reunião de cúpula. Posições antecipadas nos últimos dias pelos principais colaboradores do presidente americano, Barack Obama, indicaram sua tendência de ser firme com o presidente chinês, Hu Jintao. As conversas começaram ontem, em um jantar na Casa Branca, e continuarão no encontro oficial de hoje.

Na semana passada, a secretária de Estado, Hillary Clinton, criticou a falta de compromisso da China com os direitos humanos, particularmente a prisão de Liu Xiaobo, Prêmio Nobel da Paz de 2010. Timothy Geithner, secretário do Tesouro dos EUA, pressionou a China a valorizar o yuan e a abrir seu mercado a produtos americanos. O secretário de Defesa dos EUA, Robert Gates, propôs diálogo na área militar. Obteve como resposta o teste do supercaça chinês invisível a radares e a ausência de justificativas para o aumento do poderio militar chinês.

EUA e China portaram-se como atores com rara coordenação para enfrentar questões de segurança na Ásia nos últimos dois anos, o que causou mais divergências e aumentou a tensão entre as duas potências. O ano passado foi particularmente desapontador, afirmou Michael Green, do Centro para Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS, na sigla em inglês), em função da passividade de Pequim em relação às ameaças vindas da Coreia do Norte, de seus mísseis apontados para Taiwan e das disputas com o Japão no Mar da China.

Em cada um desses imbróglios, os EUA reafirmaram seu compromisso de defesa do Japão, da Coreia do Sul e de Taiwan. Em entrevista à imprensa americana, Hu insistiu na retomada da negociação para o fim do arsenal nuclear de Pyongyang. Considerada uma possibilidade remota, Washington insiste na adoção de novas sanções contra a Coreia do Norte.

"Ambos querem manter uma relação mais estável em 2011 e, provavelmente, em 2012, porque essa será a última reunião de Hu Jintao com Obama antes da transição de liderança na China, em princípio para Xi Jinping", afirmou Green durante conferência promovida pelo CSIS sobre relação bilateral.

O principal desafio não estará apenas nos temas divergentes, mas na condição em que Hu Jintao se apresenta em Washington. Segundo Green, problemas estruturais da relação bilateral não serão resolvidos, pois Hu é "essencialmente um pato manco", ou seja, um líder enfraquecido por estar no final de seu mandato.

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