Obama reconhece derrota e promete destravar agenda no legislativo

Presidente americano e líderes republicanos adotam retórica afável e falam acabar com bloqueio de votações no Capitólio

Cláudia Trevisan, Correspondente / Washington , O Estado de S. Paulo

05 de novembro de 2014 | 20h24

WASHINGTON - O presidente Barack Obama e líderes do Partido Republicano prometeram ontem colocar fim à paralisia que domina Washington e levar o Congresso de volta à sua atividade principal, que é legislar. Um dia depois da maior derrota eleitoral de seu partido desde o início de sua gestão, em 2009, o democrata disse ter ouvido “a mensagem” dos eleitores e afirmou que se empenhará para que o “trabalho seja feito” na capital.

Mas apesar da retórica afável, ainda é cedo para dizer que os dois partidos conseguirão superar suas diferenças e aprovar medidas como as reformas tributária e migratória ou um plano de investimentos em infraestrutura. Não existe acordo entre os republicanos sobre algumas dessas questões, o que é agravado pela resistência da ala radical do partido representada pelo Tea Party em negociar com Obama. E as duas legendas têm visões divergentes para a maioria dessas propostas.

Em uma derrota devastadora, os democratas perderam o controle do Senado, viram os republicanos ampliarem sua maioria na Câmara dos Representantes e perderam governos em Estados que tradicionalmente dominavam, como Illinois, Maryland e Massachusetts. Com a vitória da oposição, Obama terá um Congresso totalmente hostil em seus dois últimos anos de mandato.

O líder republicano no Senado, Mitch McConell, apontou o controle da Casa pelos democratas como o principal responsável pela paralisia que impede a aprovação de projetos em Washington. “O Senado precisa ser consertado”, declarou ontem, em sua primeira entrevista depois da vitória que garantiu sua volta à Casa e sua promoção para o cargo de líder da maioria. “Nos últimos dois anos, o Senado não fez nada.”

O controle das duas câmaras legislativas pelos republicanos pode acabar com o impasse dentro do Congresso, mas pode criar um outro, entre o Parlamento e a Casa Branca. McConell reconheceu que nem todas as propostas impulsionadas pela oposição contarão com a sanção do presidente, que deverá usar com mais frequência o seu poder de veto.

O primeiro teste da nova convivência ocorrerá amanhã, quando líderes dos dois partidos se reunião na Casa Branca com Obama para tentar traçar um roteiro para sua atuação futura. “Nós podemos trabalhar juntos”, declarou Obama em entrevista coletiva ontem.

O presidente atribuiu a derrota nas eleições de meio de mandato ao fato de que ele é a face mais visível da “disfunção” de Washington, rejeitada pelos eleitores. “A população acredita amplamente que essa cidade não funciona e eles têm o direito de me responsabilizar. Eu sou o cara que foi eleito por todo o mundo”, observou.

Obama viu sua agenda legislativa ser obstruída de maneira implacável pelos republicanos, que o acusam de não ter negociado o bastante com a oposição. No início deste ano, o presidente anunciou que usaria seu poder de editar decretos sempre que possível para implantar medidas que não avançam no Congresso.

Agora, ele ameaça lançar mão de seu poder executivo para adotar aspectos da reforma migratória, que foi aprovada no Senado com apoio dos dois partidos, mas empacou na Câmara dos Representantes.

O tamanho da janela que Obama tem para conseguir a colaboração dos republicanos é limitada pelo calendário eleitoral e a disputa pela presidência em 2016. A disputa de terça-feira e a vitória republicana colocaram a campanha presidencial no centro da agenda política do país. Energizados pela boa votação, os republicanos começaram a se mobilizar em torno do projeto de retornar à Casa Branca e terão menos disposição para negociar quanto mais próxima estiver a disputa. 

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