Obama recua em liberação de fotos de tortura

Presidente afirma que imagens de abusos contra presos ampliariam anti-americanismo

AP E REUTERS, O Estadao de S.Paulo

14 de maio de 2009 | 00h00

O presidente dos EUA, Barack Obama, mudou de ideia ontem e ordenou que seu governo conteste a ordem judicial que obriga o Pentágono a divulgar fotos de suspeitos de terrorismo sendo torturados por soldados americanos em prisões no Iraque e no Afeganistão durante o governo do ex-presidente George W. Bush."A consequência mais direta da divulgação dessas imagens seria inflamar o antiamericanismo, o que colocaria em perigo nossas tropas", disse Obama. No mês passado, o presidente havia anunciado que respeitaria a decisão judicial e divulgaria pouco mais de 40 fotos comprometedoras no dia 28. "Acredito que a divulgação destas fotos não acrescentaria em nada em nossa compreensão do que um pequeno número de indivíduos fez no passado."De acordo com um funcionário do Departamento de Defesa, que não quis se identificar, o presidente mudou de opinião na semana passada após uma reunião com assessores jurídicos. Obama teria dito na ocasião que não se sentia confortável com a divulgação das fotos. A liberação das imagens foi conseguida na Justiça pela União Pelas Liberdades Civis Americanas (ACLU, na sigla em inglês), um grupo de defesa dos direitos humanos. As fotos conteriam cenas de 60 investigações criminais. "A divulgação mostraria que a tortura de detentos em prisões administradas por americanos é sistêmica", disse Jameel Jaffer, diretor da ACLU. "Muitos desses casos ocorreram porque funcionários do governo vivem em uma cultura de impunidade."PRESSÃO CONSERVADORAA súbita mudança de política surpreendeu alguns aliados de Obama e pareceu fortalecer aqueles que acusam o presidente de não manter a promessa de romper com os métodos utilizados durante a administração de seu antecessor.O presidente, de acordo com analistas, parece ter cedido à pressão de setores conservadores. O secretário de Defesa, Robert Gates, o senador independente Joe Lieberman e o republicano Lindsey Graham expressaram publicamente preocupação com a divulgação das imagens. Segundo eles, as fotos poderiam ser exploradas pela Al-Qaeda para recrutar novos militantes. "Sabemos que muitos terroristas capturados no Iraque nos contaram que a decisão de entrar para o movimento jihadista foi tomada por causa das fotos e dos vídeos de Abu Ghraib", disse Graham, citando a prisão de Bagdá onde os americanos foram flagrados praticando abusos contra detentos.

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