Obama reduz número de aviões dos EUA em missão

ENVIADA ESPECIAL / SAN SALVADOR

Denise Chrispim Marin, O Estado de S.Paulo

23 de março de 2011 | 00h00

O presidente dos EUA, Barack Obama, anunciou ontem a redução do número de aviões americanos na operação militar na Líbia, apesar de ter ocultado a quantidade de aeronaves que seguirá em atividade. Em entrevista ao lado do presidente de El Salvador, Maurício Funes, ele também reiterou sua decisão de transferir a liderança da coalizão formada com França e Grã-Bretanha para a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), de forma a evitar que seu país "carregue os custos" dessa intervenção. A mudança de comando deverá ocorrer nos próximos dias, quando se complete a imposição da zona de exclusão aérea.

Obama tratou sobre a transferência da liderança da coalizão em conversas com o presidente francês, Nicolas Sarkozy, e o premiê britânico, David Cameron, durante seu voo do Chile para El Salvador. Questionado sobre o que os EUA e aliados farão se Muamar Kadafi não deixar o poder, ele desconversou. Afirmou ser esse "o esforço da coalizão" e, para se contrapor às críticas domésticas, acrescentou ser de interesse nacional dos EUA depor um ditador que "não tem misericórdia dos cidadãos líbios".

"Enquanto Kadafi estiver no poder, a menos que ele mude sua abordagem e forneça ao povo líbio a oportunidade de expressar-se livremente e faça reformas no governo da Líbia, a menos que ele esteja disposto a renunciar, continuará a ser uma potencial ameaça ao povo líbio", afirmou Obama.

Ontem, ele também se movimentou para desmontar a aliança de países críticos à intervenção militar. Extraiu o apoio à operação do primeiro-ministro da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, e a contribuição de aviões de um país árabe, o Catar. Assim como os Bric (Brasil, Rússia, Índia e China), a Turquia havia criticado as operações contra o regime de Kadafi. Segundo o conselheiro adjunto de Segurança Nacional da Casa Branca, Benjamin Rhodes, Erdogan reafirmou seu "total apoio" à criação da zona de exclusão aérea na Líbia.

"Acreditamos, e isso é importante, que o presidente fez esse telefonema para sublinhar que a Turquia é total apoiadora da resolução do Conselho de Segurança e dos nossos esforços para proteger os civis líbios", afirmou, ao ser questionado sobre a razão de a Turquia ter sido excluída da reunião em Paris na qual EUA, França e Grã-Bretanha decidiram iniciar a operação militar na Líbia. Rhodes admitiu que Erdogan não se comprometeu a participar de ações militares nem das operações de ajuda humanitária.

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