Obama restabelece tribunais militares criados por Bush

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou hoje o restabelecimento das comissões militares criadas por seu antecessor, George W. Bush, para julgar presos suspeitos de "terrorismo" detidos na prisão de Guantánamo, mas prometeu melhorar o sistema duramente criticado, inclusive por ele mesmo. O líder americano argumentou que o restabelecimento dos tribunais militares para julgar os suspeitos de "terrorismo" é "a melhor forma de proteger o país, enquanto defendemos valores profundamente sustentados".

AE-AP, Agencia Estado

15 de maio de 2009 | 18h28

Obama afirmou que sua administração vai retomar os tribunais na base naval de Guantánamo, em Cuba, depois de muitas mudanças das regras, incluindo a proibição do uso de declarações obtidas por meio de técnicas brutais de interrogatório e restrições a provas obtidas por meio de testemunhas indiretas. Os presos também terão mais facilidade para escolher um advogado de defesa e os que se recusarem a testemunhar receberão proteções básicas, afirmou o presidente, em comunicado distribuído pela Casa Branca. A administração pediu ainda um adiamento de 90 dias nos procedimentos em Guantánamo para que as novas regras entrem em vigor. A mudança deve ser apresentada ao Congresso 60 dias antes da aplicação.

A decisão de manter os tribunais militares deve provocar protestos de organizações de defesa dos direitos humanos, que já têm se manifestado contra o fato de Obama não ter feito maiores modificações na política da "guerra contra o terror" de seu antecessor, George W. Bush. Dois dias após assumir o cargo, em janeiro, Obama assinou uma série de ordens executivas nas quais exigia o fechamento da prisão de Guantánamo no prazo de um ano e suspendia as comissões militares. Na época, o presidente alegou que o sistema de comissões militares não funcionava, mas não descartou que pudesse ser retomado no futuro após passar por reformas.

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