Obama, Romney e o desemprego nos EUA

Estatísticas mostram que os democratas criaram mais empregos que os republicanos nos últimos 64 anos

ROBERT McELVAINE, THE NEW YORK TIMES, É PROFESSOR DE HISTÓRIA DO MILLSAPS COLLEGE, O Estado de S.Paulo

25 de agosto de 2012 | 03h03

Artigo

"Indubitavelmente, o presidente Barak Obama herdou uma situação difícil. É aí que está o problema, porque ele a agravou", disse o congressista Paul Ryan, candidato republicano à vice-presidência, discursando em um comício.

A afirmação de Ryan tem duas partes. A primeira é um eufemismo grosseiro. A segunda, uma afirmação grosseiramente inexata. A afirmação inexata constitui a essência do argumento que os republicanos colocam diante dos eleitores americanos: o presidente Obama tornou a situação econômica ainda mais grave.

Conseguir fazer com que os eleitores acreditem nessa afirmação é, provavelmente, a única esperança que os republicanos têm para poder ganhar as eleições.

Na última pesquisa de opinião Wall Street Journal/NBC News, divulgada na terça-feira, os entrevistados preferem Obama ao seu adversário republicano, Mitt Romney - em geral por amplas margens - em quase todas as categorias, menos na recuperação da economia.

Na pergunta sobre a "preocupação com as pessoas da classe média", por exemplo, Obama tem uma extraordinária margem de preferência, de 52% contra 30%.

Portanto, o argumento de que Obama tornou a situação econômica pior não só constitui o ponto central da campanha republicana, como é praticamente tudo o que eles têm. No entanto, os fatos não corroboram as afirmações de Romney.

Os republicanos que gostariam de entender como Obama consegue receber um apoio tão grande com um desemprego acima de 8% deveriam dar uma olhada nos dados do Departamento de Estatística do Trabalho dos EUA referentes ao número de empregos criados anualmente nos governos democratas e republicanos, do presidente Harry Truman a Obama.

As cifras deixam bem claros dois pontos. Em primeiro lugar, sem exceção, foram criados muito mais empregos sob presidentes democratas do que republicanos.

No período de 64 anos, desde o início da presidência de Truman até o fim do governo de George W. Bush, ou seja, de 1945 a 2009, houve 28 anos de governos democratas. Nesses períodos, foram criados 57,5 milhões de novos empregos, a uma média de 2,05 milhões ao ano. Nos 36 anos de governos republicanos, foram criados 36,2 milhões de novos empregos, a uma média anual de 1 milhão.

Consequentemente, nos 64 anos que levaram à posse de Obama, foram criados duas vezes mais empregos em governos democratas do que em republicanos. Esses dados mostram claramente que Obama e suas medidas não tornaram mais grave a difícil - "desastrosa" seria o termo mais preciso - situação que ele herdou.

Superioridade. Examinemos os empregos criados no governo Bush e no de Obama, usando sempre os dados do Departamento de Estatística do Trabalho. Em 18 meses, do início de 2008 até meados de 2009, antes de o estímulo de Obama ter a chance de produzir algum efeito e totalmente influenciado pelo programa econômico de Bush ao qual agora os republicanos querem voltar, foram perdidos aproximadamente 7,5 milhões de empregos.

Nos últimos 18 meses do governo Obama, foram criados aproximadamente outros 2,8 milhões de novos empregos. Isso significa que a perda média mensal de empregos durante o momento mais difícil, antes que a política de Obama produzisse efeito, foi de 417 mil. No último ano e meio, a média mensal de ganho de empregos foi 155 mil. Se Ryan e Romney consideram isso o agravamento de uma situação já ruim, ao menos deveriam nos esclarecer a respeito da "visão" deles. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

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