Obama sai fortalecido da Carolina do Sul

Ele superou ataques dos Clinton e deve ganhar apoio de Edward Kennedy

Nova York, O Estadao de S.Paulo

28 de janeiro de 2008 | 00h00

O senador Barack Obama provou anteontem na Carolina do Sul que não apenas podia suportar todos os ataques desferidos pelos Clinton, na semana mais belicosa da campanha eleitoral até agora, como podia mostrar um bom desempenho mesmo num Estado do sul, onde as tensões raciais são mais evidentes. Para aumentar o clima de confiança, o senador Edward M. Kennedy deve anunciar hoje seu apoio à candidatura de Obama.Se os resultados do fim de semana dão novo ânimo aos partidários de Obama, deixam, por outro lado, a campanha da senadora Hillary Clinton diante de um novo desafio. Tantos os ataques promovidos pelos conselheiros da senadora quanto a postura mais agressiva do ex-presidente Bill Clinton mostram-se infrutíferos - e até contraproducentes. As pesquisas com eleitores que acabavam de votar mostraram que muitos democratas que acreditavam no papel decisivo de Bill Clinton optaram por Obama. Os eleitores não só se impressionaram com a veemência de Obama como concluíram que os Clintons estavam fazendo uma campanha excessivamente negativa.No discurso de vitória na noite de anteontem, Obama ainda portou-se como um candidato com uma causa, dizendo que a luta na Carolina do Sul era uma vitória pessoal e ao mesmo tempo produzia progressos em relação à política do passado. Seu alvo era claro, mesmo sem citar nomes.A questão racial, assim, está a caminho de sair da escala Estado-por-Estado para se transformar numa batalha nacional. Na Superterça, no dia 5, quando 22 Estados elegerão cerca de 40% dos delegados do partido democrata, Obama tem chances de conseguir entre o eleitorado negro da Geórgia, do Tennessee e do Alabama o mesmo sucesso obtido na Carolina do Sul. Mas, como Hillary, ele terá de mostrar que seu carisma vale numa gama mais ampla de Estados, com perfis diferentes. Hillary, por sua vez, terá de levar em conta sua rejeição entre os negros e o apoio que ela tem recebido entre os brancos e os mais jovens. Só que Obama agora pode se vangloriar de ter constituído uma nova coalizão: mais ou menos a mesma quantidade de homens brancos que votou em Obama também votou em Hillary, e 70% dos brancos disseram que ficariam satisfeitos se Obama vencesse, de acordo com as pesquisas de opinião elaboradas pelo instituto Edison/Mitofsky para o National Election Pool of Television Networks e a Associated Press. NYT

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