Obama se distancia de crise sectária iraquiana

Após o rompimento do premiê xiita iraquiano, Nuri al-Maliki, com o vice-presidente sunita Tariq al-Hashimi e dos atentados que deixaram mais de 60 mortos na quinta-feira, o vice-presidente americano, Joe Biden, telefonou para líderes das duas seitas e da etnia curda para pressioná-los a resolver o impasse. Essa foi a única atitude de Washington sobre a crise sectária que atinge o país.

WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

26 de dezembro de 2011 | 03h06

Funcionários do governo americano garantem que o presidente Barack Obama não tem intenção de enviar tropas de volta ao Iraque, mesmo que o país entre em guerra civil.

Assessores de Obama garantem que o futuro do Iraque está exclusivamente nas mãos de seus governantes, e a abordagem diplomática dos EUA não será diferente da utilizada em outros países aliados.

"Uma crise similar ocorreu quando havia milhares de soldados lá e os iraquianos a resolveram politicamente", disse o assessor de Biden, Antony Blinken. "O desafio será, com apenas nossa ajuda diplomática, eles usarem a política para superar suas diferenças."

Sem tropas de combate no Iraque desde agosto do ano passado, os EUA perderam muita de sua influência no país. Apesar disso, Obama já está sendo criticado pela maneira com a qual conduziu o processo de retirada.

"Hoje, ao lado da morte de Osama bin Laden, do sucesso da Líbia e da restauração da credibilidade americana no mundo, o fim da guerra é um ponto positivo para Obama", disse o ex-assessor de Segurança Nacional de Bill Clinton David Rothkopf. "Mas a maré pode virar contra ele. Obama pode ser lembrado, não pela retirada, mas pelo que deixou lá."

Entre os republicanos, o senador John McCain, do Comitê do Senado para as Forças Armadas, que foi derrotado por Obama na eleição de 2008, disse que a estratégia de retirada está por um fio. "Estamos pagando um alto preço por não termos deixado uma força residual lá", disse à rede de TV CBS. / NYT

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