Obama se diz chocado com matança de civis afegãos

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, telefonou hoje para o presidente afegão, Hamid Karzai, para manifestar "choque e tristeza" pelo tiroteio iniciado por um militar americano, que resultou na morte de 16 civis no Afeganistão. De acordo com informações da Casa Branca, Obama afirmou que o crime "não é representativo do caráter excepcional dos militares americanos e do respeito que os EUA têm pelo povo do Afeganistão".

AE, Agência Estado

11 de março de 2012 | 20h06

Segundo nota do governo dos EUA, Obama também prometeu "reunir os fatos tão rapidamente quanto possível e fazer quem quer que seja responsável prestar contas".

Mais cedo, um militar americano invadiu três casas em duas aldeias no sul do Afeganistão e matou a tiros 16 pessoas, entre elas nove crianças, deixando também cinco feridos. Karzai divulgou comunicado dizendo que o ocorrido "é um assassinato, uma matança intencional de civis inocentes, e não pode ser perdoado".

O Pentágono disse que o militar que atacou os civis afegãos é um sargento do Exército baseado em Fort Lewis (Washington). Ele teria se entregado às autoridades militares logo depois de cometer o crime. Pelo menos uma testemunha, porém, disse que havia mais de um militar envolvido.

O massacre aconteceu às 3 horas da madrugada de hoje no horário local, nas aldeias de Balandi e Alkozai, ambas a cerca de 500 metros de uma base das forças de ocupação americanas na província afegã de Kandahar. Segundo Abdul Baqi, morador de Alkozai, "quando tudo aconteceu, no meio da noite, nós estávamos em nossas casas. Eu ouvi tiros, depois silêncio, e então tiros novamente".

Outro morador de Alkozai, o agricultor Samad Khan, disse que 11 dos mortos eram membros de sua família. "Este foi um ato anti-humano e anti-islâmico. Em nenhuma religião do mundo se permite a matança de mulheres e crianças", disse Khan. Ele e outros moradores da aldeia exigiram que o governo Karzai puna o militar responsável. "De outra forma, nós mesmos tomaremos uma decisão", acrescentou.

Outra moradora de Alkozai disse que "não havia ninguém do Taleban aqui. Não havia nenhum tiroteio. Não sabemos por que esse soldado estrangeiro veio aqui e matou nossos familiares. Ou ele estava bêbado, ou gosta de matar civis".

O Talibã, movimento radical islâmico que governava o Afeganistão até o país ser invadido pelos EUA e seus aliados, em 2001, emitiu comunicado na internet dizendo que "mais uma vez, os chamados mantenedores da paz norte-americanos saciaram sua sede com o sangue de civis afegãos inocentes na província de Kandahar".

O massacre aprofundou uma crise entre os governos do Afeganistão e dos EUA, iniciada há um mês com a divulgação de imagens da queima de exemplares do Alcorão, o livro sagrado do Islã, por soldados norte-americanos dentro de uma base militar no Afeganistão. Cerca de 30 afegãos morreram nos protestos que se seguiram à queima dos livros e seis militares norte-americanos foram mortos em retaliação. As informações são da Associated Press.

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