Obama se opõe à legalização das drogas

O presidente americano, Barack Obama, criticou ontem os meios de comunicação por se preocuparem com controvérsias de quando ele "nem era nascido". Também afirmou ser contra a legalização das drogas e fez um mea-culpa dos Estados Unidos em relação ao tema.

CARTAGENA, O Estado de S.Paulo

15 de abril de 2012 | 03h02

No primeiro dia da 6.ª Cúpula das Américas, Obama disse que os meios de comunicação se concentravam em polêmicas dos anos 50, "perdidas no tempo", como o discurso contra os "ianques e a Guerra Fria".

Contou que, nas entrevistas dadas sobre a cúpula, jornalistas cobravam maior intervenção em nome da democracia em determinadas regiões do mundo. Depois, perguntavam se ele não estaria sendo duro demais com Cuba ao insistir no tema da democracia. A plateia formada por empresários riu.

A ausência de representantes do governo cubano (não convidado para o encontro) foi a principal polêmica da reunião. Além de ameaçar as próximas cúpulas, coloca em risco a elaboração da declaração final, a ser divulgada hoje, já que vários países como Venezuela e Argentina querem um compromisso formal de que Cuba passará a ser convidada para as próximas reuniões.

Obama alfinetou o governo cubano. "Se pensarmos no sucesso no Brasil e na Colômbia, grande parte disso é governo. Não se pode ter sucesso econômico no longo prazo se não seguir princípios básicos de democracia, direitos humanos e liberdade de expressão", disse. Ontem, o líder cubano Fidel Castro publicou um artigo no qual chamou o encontro de "Cúpula das Guayaberas", numa referência ao traje caribenho.

Drogas. Obama disse ser contra a liberalização das drogas. "Não é a resposta", disse na cúpula, que conta com a presença de líderes favoráveis à descriminalização. "Haveria um comércio em massa de drogas se elas fossem liberadas", disse. Ele falou ainda que a questão da oferta na América Latina teria de ser abordada ao lado da demanda nos Estados Unidos.

"Sabemos da nossa responsabilidade. Acho que é totalmente legítimo fazer o debate, mas a legalização não é a saída." Para ele, a solução para problema passa pela discussão sobre o consumo. "Os EUA têm a obrigação de ajudar os países para ver como podemos avançar em uma direção melhor", concluiu. / J.D.

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