Obama se reúne com presidentes de Afeganistão e Paquistão

Governo americano deve pressionar o governo paquistanês a ajudar no combate ao Taleban em seu território

Agências internacionais,

06 de maio de 2009 | 02h51

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, se reúne nesta quarta-feira, 6, com os líderes do Paquistão, Asif Ali Zardari, e Afeganistão, Hamid Karzai, em um encontro no qual abordarão a luta contra os taleban nos dois países. A conversa de três lados entre Obama, Zardari e Karzai tem como objetivo impulsionar a cooperação entre Afeganistão e Paquistão, país que os insurgentes usam como base para lançar ataques em território afegão.

 

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O representante especial do governo dos Estados Unidos para o Afeganistão e o Paquistão, Richard Holbrooke, afirmou na terça-feira que a Casa Branca deve pressionar ainda mais o governo paquistanês para que ele se una aos esforços para derrotar o Taleban. Durante uma audiência no Congresso americano, Holbrooke afirmou que os Estados Unidos não podem vencer a guerra contra o Talebã no Afeganistão sem a ajuda do Paquistão. "Nós precisamos colocar a maior pressão possível sobre nossos amigos do Paquistão para que eles se juntem a nós na luta contra o Talebã e seus aliados", disse Holbrooke.

O diplomata ainda afirmou que os "interesses mais vitais de segurança nacional" dos EUA estão em jogo na região e que os Estados Unidos "não podem vencer no Afeganistão sem o apoio e envolvimento do Paquistão". Holbrooke ainda negou que o Paquistão seja um "estado falido" e reiterou o apoio dos Estados Unidos ao presidente do país, Asif Ali Zardari. "O Paquistão é de uma importância estratégica e política tão grande para os Estados Unidos que nosso objetivo, sem dúvida, é de apoiar e ajudar a estabilizar um Paquistão democrático, liderado pelo presidente eleito Zardari". Mesmo assim, Holbrooke cobrou o governo paquistanês e afirmou que ele precisa demonstrar comprometimento no combate à rede Al-Qaeda e outros grupos extremistas dentro de suas fronteiras.

 

Zardari e Karzai manterão antes de seu encontro com Obama uma reunião privada com a chefe da diplomacia americana, Hillary Clinton, primeiro separadamente e depois no formato trilateral. À tarde, o presidente dos Estados Unidos receberá primeiro Karzai e depois Zardari, e posteriormente os três líderes se reunirão em um encontro trilateral.

Refúgios

O governo dos Estados Unidos acredita que muitos militantes do Talebã busquem abrigo na fronteira entre o Paquistão e o Afeganistão, de onde lançam ataques contra forças americanas em território afegão.

Também nesta terça-feira, em uma palestra no centro de estudos Brookings Institution, em Washington, o presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, afirmou que seu país não poderá ser estabilizado a menos que os supostos esconderijos e campos de treinamento de militantes do Talebã no Paquistão sejam destruídos. "Não importa o poder do Exército ou das instituições no Afeganistão enquanto os esconderijos e os campos de treinamento que ficam no nosso vizinho (o Paquistão) não desaparecerem. O Afeganistão não poderá ficar em paz. O Talebã voltou porque não resolvemos a questão dos esconderijos a tempo", disse.

Segundo a BBC, Obama precisa convencer os líderes paquistaneses sobre a gravidade da situação na região, mas também convencer o Congresso americano a aprovar um pacote de ajuda ao país, um elemento vital para a estratégia americana.

O encontro entre Obama, Zardari e Karzai, nesta quarta-feira, acontece em um momento de novos conflitos no Paquistão e Afeganistão.  Centenas de pessoas deixaram a região do Vale de Swat, no Paquistão, nesta terça-feira, porque uma trégua entre o Exército e o Talebã parece perto do fim. Autoridades esperam que cerca de 500 mil pessoas deixem a região, e seis campos de refugiados foram preparados para elas.

Matéria atualizada às 7h40.

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