Obama se reunirá com Abbas após falar na Assembleia-Geral

Presidente também se encontrará com Bibi e pedirá na ONU negociação direta entre palestinos e israelenses

GUSTAVO CHACRA , CORRESPONDENTE / NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

21 Setembro 2011 | 03h03

O presidente americano, Barack Obama, se reunirá hoje à tarde com o presidente da Autoridade Palestina (AP), Mahmoud Abbas, horas depois de se encontrar com o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Bibi Netanyahu, e de discursar na Assembleia-Geral da ONU. O encontro foi anunciado ontem à noite pela Casa Branca, acrescentando que a reunião foi acrescentada de última hora à programação do presidente.

Em meio a pressões diplomáticas para tentar impedir os palestinos de levar adiante a iniciativa de se tornar um Estado pleno na ONU, Obama, deve afirmar em seu discurso que a Palestina apenas poderá ser criada por meio de negociações com os israelenses.

Segundo autoridades do governo americano, Obama quer deixar clara a sua insatisfação com a decisão palestina de seguir adiante com a iniciativa na ONU, ignorando os apelos de retornar à mesa de negociações. Ao mesmo tempo, ele insistirá que defende a solução de dois Estados desde que a Palestina seja criada por meio de negociações, e não com o ato unilateral na ONU.

Os palestinos dizem-se dispostos a retornar à mesa de negociações com Israel. Mas, de acordo com o presidente Abbas, será na condição "de Estado para Estado", e não mais de Autoridade Palestina e Israel. Netanyahu, por sua vez, afirmou estar disposto a retornar ao diálogo imediatamente desde que os palestinos abandonem a iniciativa.

O premiê francês, Alain Juppé, indicou que uma das opções seria adiar a votação no conselho depois de os palestinos apresentarem o requerimento ao secretário-geral da entidade, Ban Ki-moon, na sexta-feira. Essa estratégia de esperar semanas para tentar lançar novamente as negociações entre Israel e palestinos ganhou força nos últimos dias.

Para os europeus, a situação é delicada porque eles não querem que a questão palestina afete os ganhos obtidos na primavera árabe, segundo o presidente francês, Nicolas Sarkozy, afirmou ontem. Nos EUA, o conflito Israel-palestinos é tratado como política doméstica e Obama foi atacado por adversários republicanos, para quem o presidente seria o responsável pela situação ter chegado a esse ponto.

O premiê de Israel afirmou ontem ao deixar Jerusalém que não espera uma "recepção calorosa na ONU". Ele discursa na sexta-feira, depois de Abbas.

Para o Estado palestino integrar a ONU como membro pleno, é necessária a aprovação tanto do Conselho de Segurança quanto da Assembleia-Geral. Caso optem por ser membros observadores, os palestinos precisariam de maioria simples na assembleia.

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