Obama se torna o primeiro presidente americano a apoiar o casamento gay

Barack Obama tornou-se ontem o primeiro presidente dos Estados Unidos a apoiar o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Resultado de cálculos políticos, a posição de Obama atendeu as expectativas de grupos em favor dos direitos civis fortemente comprometidos com sua eleição, em 2008, e com sua campanha de reeleição neste ano.

DENISE CHRISPIM MARIN , CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

10 Maio 2012 | 03h07

Ao atrair os holofotes para uma questão vinculada a valores morais na sociedade americana, a Casa Branca acentuou o ambiente já polarizado entre os dois partidos. "Concluí que para mim, pessoalmente, é mais importante ir adiante e afirmar que eu penso que os casais formados por pessoas do mesmo sexo devem ser capazes de se casar", declarou Obama durante entrevista à rede de TV ABC News.

Obama não tinha alternativa desde o domingo, quando o vice-presidente, Joe Biden, expressou seu apoio ao casamento entre homossexuais em um programa da rede NBC. A Casa Branca recebeu inúmeras demandas sobre como ficaria a posição do presidente, mas ele se manteve hesitante sobre o tema, como nos seus três anos de governo. Na entrevista, Obama explicou ter relutado porque considerava "suficiente" a união civil entre pessoas do mesmo sexo e queria mostrar-se "sensível" à forma como muitos americanos veem o casamento.

Obama patrocinara um projeto de lei para acabar com a política do Pentágono do "não pergunte, não diga", que permitia a presença de militares homossexuais nos seus quadros desde que eles não admitissem a opção.

O candidato à reeleição, entretanto, não tinha mais como protelar seu apoio explícito à causa. Hoje, Obama será recebido na casa do ator George Clooney, em Los Angeles, em um evento cujo objetivo é arrecadar US$ 12 milhões para sua campanha. Parte desse volume virá de ativistas em favor dos direitos dos homossexuais de Hollywood. No dia 14, em Nova York, participará de uma recepção de uma ONG pró-gays ao lado do cantor Rick Martin.

A preocupação com o impacto, nas urnas, de uma posição mais liberal acabou diluída pelas pesquisas, que indicam o aumento da aprovação dos americanos ao casamento gay. Consulta do instituto Pew Research, de abril, mostrou apoio de 47% a essa causa. Em 2008, apenas 39% dos consultados mantinham essa posição, enquanto 51% se opunham. Neste ano, os contrários somam 43% do total.

A definição de Obama deu-se um dia depois de os eleitores da Carolina do Norte terem aprovado, por 61%, uma emenda à Constituição estadual banindo o casamento entre homossexuais. A Assembleia Legislativa do Colorado, também na terça-feira, bloqueara a votação de um projeto para permitir as uniões civis.

Reações de cunho eleitoral surgiram de imediato. O potencial candidato republicano à Casa Branca, Mitt Romney, criticou a mudança de posição de Obama. "Eu tenho a mesma visão sobre o casamento que eu tinha quando era governador (de Massachusetts, entre 2003 e 2007) e expressei muitas vezes. Eu acredito que o casamento é uma relação entre um homem e uma mulher", afirmou, durante campanha em Oklahoma.

Marco Rubio, senador da Flórida apontado como provável companheiro de chapa de Romney, preferiu o tom irônico. "Então, ele agora concorda com o seu vice-presidente? Eu concordo com o velho Barack Obama." Mas o deputado federal republicano Jared Polis, primeiro homossexual assumido a candidatar-se ao Congresso em 2008, somou-se aos políticos democratas e independentes e às organizações em favor dos direitos civis dos homossexuais. O anúncio de Obama, afirmou Polis, é uma notícia bem vinda para as "famílias americanas".

O independente Michael Bloomberg, prefeito de Nova York, ampliou a conotação do gesto de Obama ao classificá-lo como uma "virada na história dos direitos civis americanos". "Nenhum presidente americano deu tamanho apoio aos direitos civis que não tenha sido, depois, adotado pelo povo americano. Não tenho dúvidas de que isso não será exceção", afirmou.

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