Obama será julgado por sua política econômica

O crescimento na economia no 3º trimestre foi de 2% e a taxa de desemprego é de 7,9%

DENISE CHRISPIM MARIN, ENVIADA ESPECIAL A CHICAGO, O Estado de S.Paulo

06 de novembro de 2012 | 02h04

O adversário real de Barack Obama, presidente dos Estados Unidos e candidato à reeleição, não será hoje o republicano Mitt Romney, um candidato considerado fraco e artificial até mesmo entre os líderes de seu partido.

Quando as urnas estiverem fechadas e começar a contagem de votos, Obama será julgado pelo eleitorado americano pelos resultados de sua política econômica e pelo grau de confiança que conseguiu atrair, durante a campanha, para seu projeto de recuperação mais vigorosa até 2017. Os números da economia, olhados fora de contexto, não o favorecem.

A eleição presidencial se dá em um momento de crescimento de 2% na economia dos EUA no terceiro trimestre, de taxa básica de juros mantida próxima a zero ao ano desde dezembro de 2008, de desemprego de 7,9% e em que a dívida pública federal alcança US$ 16 trilhões. Em todas as pesquisas de opinião realizadas ao longo do ano, a preocupação com a economia foi a primeira da lista do eleitor. O país ainda tem 12,2 milhões de desempregados, 2,4 milhões no mercado negro ou desalentadas de procurar emprego e 27,8 milhões com trabalho em meio período. Tudo isso em um contexto de criação de 5,5 milhões de postos nos últimos meses.

Romney explorou largamente esse retrato. Condenou a ajuda financeira de US$ 25 bilhões do governo federal às três maiores montadoras do país (e posteriormente devolvidos), o aumento da regulação sobre os setores financeiro e produtivo, a alta carga tributária e as soluções keynesianas sugeridas pela Casa Branca. Como alternativa, propôs um plano de 5 pontos para criar 12 milhões de postos de trabalho em apenas 4 anos, enquanto o país adotaria um severo ajuste nas contas públicas. Como destacaram os economistas Kenneth Rogoff e Carmen Reinhart em artigo, Romney desconsidera o fato de os EUA terem passado por uma crise financeira sistêmica, não apenas por uma recessão cíclica.

O vice-presidente do Banco Mundial, Otaviano Canuto, segue a mesma linha de análise. Ao Estado, Canuto ponderou não estar surpreso com o desempenho modesto da economia americana, passados quatro anos da quebra do Lehman Brothers e da emersão da crise do subprime. Esses eventos forçaram um ajuste brusco nos preços de ativos, mantidos por anos artificialmente elevados. "Não se espera a recuperação de uma economia afetada por uma crise sistêmica em quatro anos. Isso é coisa para dez ou mais anos", afirmou.

O desemprego tampouco surgiu com a crise, embora tenha sido agravado por ela. Os processos de incorporação de mais tecnologia sobre os setores produtivos e de transferência de indústrias para o exterior, sobretudo para a China, já haviam praticamente marcado de morte inúmeros postos de trabalho nos EUA.

Em recente artigo, a economista Lindsay Oldenski, professora assistente da Georgetown University, analisou essas vertentes no atual contexto eleitoral. Ela concluiu que os EUA têm sofrido o declínio na renda de trabalhadores das classes média e baixa por mais de uma década.

A mensagem política, segundo seu artigo, não deveria ser a coibição da transferência de empresas ao exterior, mas a recolocação de trabalhadores em áreas onde a oferta de trabalho está crescendo no país. Basicamente, as não relacionadas com rotinas, como os serviços de atendimento direto ao cliente, com tomada de decisão, solução de problemas e criatividade. Mais do que treinamento, essa iniciativa dependeria de mais e melhor educação, uma das propostas básicas de governo de Obama.

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