Obama sofre pressão para renovar equipe após eleição legislativa

Obama sofre pressão para renovar equipe após eleição legislativa

Votação deve causar perdas para o Partido democrata no Congresso faltando dois anos para o presidente deixar o cargo 

O Estado de S. Paulo

03 Novembro 2014 | 12h09



WASHINGTON - Uma reformulação na equipe do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, parece quase certa para depois das eleições legislativas desta terça-feita, que devem trazer perdas substanciais para o Partido Democrata e também podem aumentar a pressão para Obama renovar sua Presidência.

Pesquisas apontam que os republicanos, que fizeram da impopularidade de Obama uma grande bandeira na campanha, estão em forte posição para tomar os seis assentos necessários para tirar o Senado das mãos dos democratas. Eles também devem expandir sua maioria na Câmara dos Deputados. 

Antigos e atuais assessores da Casa Branca, no entanto, dizem que mesmo que essas previsões se confirmem, Obama deve resistir a pedidos para fazer uma mudança geral nos últimos dois anos no cargo, decisão que difere das rápidas manobras realizadas por seus antecessores após revezes semelhantes nas urnas.

Mesmo uma lenta e gradual reformulação pode acrescentar novos talentos a um círculo interno que tem sido criticado por ser muito isolado. Mas ainda não é certo que novos reforços na equipe seriam o suficiente para ajudar o presidente a superar o impasse legislativo em Washington e pressionar por novas iniciativas para salvar o seu legado. 

Ao mesmo tempo, também há dúvidas se Obama responderá com uma medida ainda mais crítica: alterar seu solitário estilo de liderança para lidar com a nova realidade do Congresso e com diversas crises internacionais.

O presidente, conhecido como “Obama sem drama” em razão da sua personalidade, pode estar relutante em fazer alguma mudança fundamental de curso nos últimos dois anos de mandato, de acordo com pessoas dentro e fora da administração. "Sempre haverá mudança de pessoal aqui e ali", particularmente entre pessoas que serviram por muito tempo, disse Jay Carney, ex-secretário de imprensa de Obama. "Não é seu estilo fazer isso, eu não esperaria uma grande mudança."

Tanto partidários quanto críticos dizem que recentes deslizes para lidar com a crise do Ebola e conter a insurgência do Estado Islâmico (EI) no Oriente Médio precisam de grandes mudanças dentro da "bolha" que virou a Casa Branca, onde decisões políticas estão sendo concentradas em um grau considerado quase sem precedentes.

"Ele (Obama) deve cogitar reavivar a abordagem ‘equipe composta de rivais’", disse Jane Harman, ex-congressista da Califórnia regularmente consultada pela Casa Branca. "Ter pessoas com opiniões diferentes na sala, isso seria útil."

No entanto, Obama, reconhecidamente leal àqueles que se mantiveram fiéis a ele, tem mostrado resistência em demitir membros mais sêniores de sua equipe. A maioria daqueles que saíram desde que ele assumiu o cargo o fizeram voluntariamente. / REUTERS

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