Obama sofre queda de confiança

Impasse sobre reforma do sistema de saúde faz popularidade do presidente atingir menor índice desde a posse

Wp, Efe e Reuters, WASHINGTON, O Estadao de S.Paulo

22 de agosto de 2009 | 00h00

A confiança dos americanos na liderança do presidente Barack Obama diminuiu consideravelmente, segundo uma pesquisa publicada ontem pelo jornal The Washington Post. A principal razão da queda brusca na popularidade de Obama é a crescente oposição às reformas no sistema de saúde, que está emperrada no Congresso.A pesquisa, realizada junto com a rede de TV ABC, indica que 49% dos americanos acreditam que Obama tomará "as decisões corretas para o país" - em abril, quando completou cem dias de governo, 60% confiavam nas decisões do presidente.O índice de aprovação do presidente, de acordo com a sondagem, está em 57% - 12 pontos porcentuais a menos do que há quatro meses -, enquanto o número de americanos que desaprovam o trabalho de Obama subiu para 40% - o índice mais alto desde sua posse, em janeiro.O presidente também enfrenta uma onda geral de pessimismo entre os americanos, que aumentou com a crise econômica global e com o aparente fracasso da reforma do sistema de saúde. Entre os entrevistados, 55% acreditam que os EUA estão seguindo "um mau caminho" - em abril, 48% achavam o mesmo.Apesar de uma maior percepção negativa sobre o rumo geral do país, os americanos estão mais otimistas sobre a duração da recessão econômica: 50% acreditam que a crise será superada nos próximos 12 meses. Em fevereiro, 28% achavam que ela seria superada rapidamente.Ainda de acordo com a pesquisa, Obama, que em geral tem causado uma impressão positiva fora do país, está enfrentando graves problemas internos: 53% dos americanos reprovam a forma como ele lida com o déficit orçamentário e apenas 49% acreditam que ele seja capaz de reformar a saúde pública nos EUA - antes de tomar posse, 69% achavam que ele melhoraria o sistema de saúde americano. PROMESSAA reforma da saúde pública foi uma das promessas de campanha de Obama. Para tentar convencer os americanos, o presidente participou de videoconferências, debates abertos ao público e se reuniu políticos republicanos. Apesar de ter investido grande capital político, Obama tem esbarrado na oposição republicana e até de aliados democratas - a ala mais conservadora do partido -, que fazem de tudo para rotular o esforço do presidente como uma política "socialista".O plano de Obama pretende dar cobertura aos cerca de 46 milhões de americanos que não conseguem pagar um plano de saúde. Os opositores da proposta dizem que é economicamente inviável ampliar a cobertura do sistema de saúde, já que agravaria o déficit público - estimado em US$ 1,58 trilhões este ano.

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