Jonathan Ernst/Reuters
Jonathan Ernst/Reuters

Obama tem vantagem sobre Romney na disputa eleitoral por delegados

Sistema de votação americano, indireto, faz com que presidente fique mais à frente de rival republicano do que em uma eleição proporcional, com voto direto; pesquisa indica que democrata teria 253 votos e precisaria de mais 17 para vencer

DENISE CHRISPIM MARIN , CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

13 Maio 2012 | 03h07

Algumas pesquisas colocam o republicano Mitt Romney à frente do presidente Barack Obama. Em outras, o democrata aparece em vantagem. A eleição americana, porém, é indireta. O próximo presidente será escolhido por um Colégio Eleitoral formado por 538 delegados de 50 Estados e da capital do país. De acordo com as regras do jogo, portanto, o caminho de Obama parece mais fácil do que indicam as pesquisas.

Um candidato pode, portanto, ter mais votos nas urnas, mas perder no fim. Foi o que ocorreu em 2000, quando o democrata Al Gore recebeu meio milhão de votos a mais que o republicano George W. Bush, mas teve cinco votos a menos no Colégio Eleitoral.

Segundo estimativas do site Real Clear Politics, que tem como base pesquisas estaduais, Obama lidera com folga em dez Estados e na capital, Washington. Em outros nove, ele mantém uma vantagem maior do que cinco pontos porcentuais. Mantido o cenário, ao todo, ele teria garantidos 253 votos no Colégio Eleitoral.

Romney está muito à frente do democrata em 17 Estados e lidera com uma margem maior do que cinco pontos porcentuais em outros quatro. Mas como a maioria desses Estados republicanos tem peso eleitoral reduzido, ele teria apenas 170 votos no Colégio Eleitoral.

Em nove Estados, a disputa está acirrada e as pesquisas não apontam favorito. Esses serão os palcos das maiores batalhas de novembro. Juntos, eles significam 115 votos no Colégio Eleitoral e decidirão o próximo presidente dos EUA.

Ganha a presidência quem obtiver 270 votos. Assim, Obama precisaria de apenas mais 17. Ou seja, basta que o presidente vença em Ohio, por exemplo, para garantir a reeleição - mesmo que perca em todos os outros Estados em que a votação está indefinida.

Por isso, a desvantagem de Romney é grande. Dos nove Estados em que a disputa está apertada, cujas pesquisas mostram uma diferença menor do que cinco pontos porcentuais, Obama lidera em seis: Colorado, Iowa, Ohio, New Hampshire, Carolina do Norte e Virgínia.

Para derrotar o presidente, portanto, Romney teria de manter a vantagem mínima que tem no Arizona e no Missouri, ultrapassá-lo na Flórida - rigorosamente empatada, segundo pesquisas - e virar o jogo nos outros seis Estados em que Obama mantém uma pequena margem.

Como a tarefa é quase impossível, e para manter alguma margem de erro, a campanha de Romney tentará virar a eleição em alguns Estados em que Obama lidera com mais de cinco pontos porcentuais, como Pensilvânia, Michigan ou Wisconsin.

Oscilações. De acordo com especialistas, embora o cenário seja favorável ao presidente, muita coisa pode mudar até novembro. Para o analista político conservador Michael Barone, Obama tem a vantagem de ser popular entre os negros, de ter comandado a execução do terrorista Osama bin Laden e de ter retirado as tropas americanas do Iraque.

Mas, segundo Barone, Romney pode se beneficiar do ambiente de ceticismo nos EUA e da oposição às políticas do governo, especialmente com relação ao estímulo à economia e à controvertida reforma do sistema de saúde.

A variável econômica será marcante, especialmente para os eleitores independentes, e as incertezas vindas da Europa não ajudam a clarear o cenário para novembro. A consultoria Moody's Analytics estima em menos de 5% a chance de uma nova recessão derrubar a economia americana este ano.

"Obama vai sofrer nos 17 Estados que chegarão em novembro com taxa de desemprego acima de 8%", afirmou ao Estado Xu Cheng, economista da Moody's Analytics - a taxa média nacional, em abril, foi de 8,1%.

Economia. Thomas Mann, analista do Brookings Institution, disse que o cenário ainda deve oscilar. O melhor termômetro da eleição, segundo ele, será a pesquisa de aprovação de Obama, que está em cerca de 48% - em janeiro de 2009, quando ele tomou posse, ele tinha 65,4% de aprovação.

"A eleição será, em parte, um referendo sobre o desempenho da economia durante o governo Obama", afirmou Mann. Os republicanos, de acordo com ele, serão julgados por suas posições extremas e escolhas políticas impopulares. "Romney vence se souber se vender para o eleitor como um homem de negócios capaz de consertar a economia do país."

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