Obama tenta conter a euforia

Após vitória no debate de quarta-feira, democrata diz que campanha não acabou e alerta contra o excesso de confiança

Londonberry, EUA, O Estadao de S.Paulo

17 de outubro de 2008 | 00h00

O candidato democrata à presidência, senador Barack Obama, alertou ontem seus correligionários de que a campanha ainda não acabou e não se pode relaxar nos últimos dias antes da eleição, apesar da vantagem nas pesquisas. "Para aqueles que se sentem muito confiantes de que já está tudo certo, tenho apenas duas palavras: ?New Hampshire?", disse Obama durante comício em na cidade de Londonberry.O democrata se referia à derrota sofrida nas primárias de New Hampshire para Hillary Clinton, apesar de as pesquisas indicarem que ele venceria. "Já estive nessa posição antes, quando parecíamos seguros, a imprensa começou a exagerar e acabamos apanhando."Se as eleições fossem hoje, Obama sairia vitorioso no Colégio Eleitoral americano, segundo projeções da rede CNN. Obama obteria 277 votos, 7 a mais do que o necessário para ser eleito, enquanto McCain, teria 174 votos. De acordo com os dados da CNN, 87 votos estão indefinidos. Na pesquisa anterior, divulgada dia 7, Obama tinha 264 votos. A mudança ocorrida em favor do democrata foi a conquista, nas últimas duas semanas, da preferência do eleitorado de Virgínia, Estado onde a disputa ainda estava indefinida.Segundo o analista Alan Silverleib, os democratas não vencem na Virgínia há 44 anos. "Agora, várias pesquisas mostram Obama com uma vantagem de mais de 10 pontos porcentuais no Estado", afirmou Silverleib. Nos EUA, é o resultado da disputa no Colégio Eleitoral que define o vencedor das eleições. Cada Estado tem direito a um determinado número de delegados ao colégio, que varia de acordo com sua população. A Califórnia, por exemplo, Estado mais populoso do país, tem 55 votos. Montana, Alasca e Wyoming, bem menos populosos, têm 3 votos. O total de votos - a soma de todos os Estados - é de 538. Ou seja, quem obtiver 270 será eleito presidente. Na maior parte dos casos, o candidato vencedor em um Estado recebe todos os votos dos delegados desse Estado - apenas Nebraska e Maine dividem seus votos de acordo com distritos.É por isso que é possível que um candidato vença a eleição no Colégio Eleitoral, mas tenha menos votos populares que seu adversário em todo o país. Isso ocorreu em 2000, quando o democrata Al Gore obteve 500 mil votos a mais que o republicano George W. Bush, mas perdeu a eleição no Colégio Eleitoral (271 a 267).JANTARObama e McCain se reencontraram ontem, no hotel Waldorf Astoria, em Nova York, para um jantar beneficente. Os dois se cumprimentaram com um aperto de mãos promovido pelo cardeal da cidade, Edward Egan. Mais relaxados, os dois nem pareciam disputar a presidência dos EUA.No discurso, Obama brincou o tempo inteiro com o adversário e os ataques pessoais que recebe. "As pessoas falam a respeito de uma surpresa de outubro. A surpresa de outubro é o meu nome do meio, Steve. Sim, eu me chamo Barack Steve Obama", disse o democrata, cujo verdadeiro nome do meio é Hussein."A campanha de McCain está dizendo que eu ando por aí com pessoas estranhas e perigosas. Eu tenho de confessar que isso é verdade. Eu comecei a andar com esse tipo de gente desde que entrei para o Senador americano", brincou o senador, que arrancou gargalhadas da platéia, e até mesmo de McCain.WASHINGTON POSTO jornal Washington Post declarou ontem seu apoio ao candidato democrata. "Existem poucas figuras políticas que respeitamos tanto quanto John McCain. No entanto, sem qualquer tipo de ambivalência decidimos apoiar o senador Barack Obama", afirmou o jornal em um editorial intitulado "Obama para presidente". "A escolha tornou-se ainda mais fácil em razão da campanha decepcionante de McCain e por causa da escolha de uma companheira de chapa que não está pronta para ser presidente dos EUA," declarou o Post. REUTERS, AP, NYT E WP

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