Obama tira metade das tropas do Afeganistão

Presidente dos EUA anuncia em discurso saída de 34 mil soldados até o fim deste ano

DENISE CHRISPIM MARIN, CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

13 de fevereiro de 2013 | 02h01

Em seu principal discurso do ano à nação, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou na noite de ontem a retirada de 34 mil dos 66 mil militares americanos do Afeganistão até o fim deste ano. Como previsto desde meados de 2010, a retirada deverá ser concluída até dezembro do próximo ano. Parte do contingente deve permanecer no país depois de janeiro de 2015.

O presidente afirmou que durante este ano "mais 34 mil soldados americanos voltarão do Afeganistão para casa. Essa retirada vai continuar. "Até o fim do próximo ano, nossa guerra no Afeganistão terá terminado", afirmou Obama no discurso do Estado da União.

Essa informação fora estrategicamente vazada pela Casa Branca na manhã de ontem. O discurso sobre o Estado da União se concentrou menos em questões de política externa e de defesa e mais na agenda de Obama para a recuperação da economia americana, com insistentes chamados à bancada republicana no Congresso para a conciliação com os democratas na discussão sobre os cortes de gastos federais até 2022. O fortalecimento e a expansão da classe média estiveram no centro de seu discurso (mais informações nesta página).

Obama defendeu que não será necessário enviar tropas americanas para o Norte da África, o novo front aberto pela Al-Qaeda. "Em vez disso, precisaremos ajudar países como o Iêmem, a Líbia e a Somália a prover sua própria segurança e ajudar os aliados que estão lutando contra os terroristas, como acontece no Mali."

Ele destacou que os desafios externos dos EUA não se reduzem à Al-Qaeda. O regime da Coreia do Norte, insistiu, deve cumprir suas obrigações internacionais na área nuclear, assim como o do Irã. Os EUA ainda terão de lidar com os ciberataques, afirmou Obama, com o cuidado de não mencionar a China - principal fonte dessas ameaças.

No ano passado, seu discurso fora assistido por 38 milhões americanos - apenas 12% da população. Na condição de convidados da primeira-dama, Michelle Obama, 25 pessoas tiveram visão privilegiada. Entre elas, o presidente da Apple, Tim Cook, e Valerie Jarret, conselheira sênior do presidente e influente amiga da família.

O convite de Michelle a Brian Murphy, primeiro policial a socorrer as vítimas de um atirador em um templo sikh em Wisconsin, em agosto passado, e à professora e maratonista Kaitlin Roig, que escondeu seus alunos durante o ataque de um atirador na escola Sandy Hook, em dezembro, enfatizou o apelo de Obama pela aprovação do Congresso à proibição da venda de fuzis de assalto.

Obama cobrou também o Congresso a aprovar, ainda neste ano, a reforma da política de imigração. "Nós sabemos o que precisa ser feito. Vamos terminar isso. Enviem-me uma lei de reforma ampla de imigração nos próximos meses, e eu a assinarei de imediato", desafiou.

A presença na plateia do sargento Carlos Evans, que perdeu as pernas e os braços no Afeganistão, trouxe a imagem do custo humano dessa guerra, que dura quase doze anos. Nesse período, 2.177 militares americanos foram mortos e 17.764 foram feridos, segundo a organização iCasualties. O conflito impôs gasto federal de US$ 557 bilhões entre 2001 e 2012.

Em janeiro, Obama havia discutido a retirada das tropas com o presidente afegão, Hamid Karzai, na Casa Branca. Mas ambos não chegaram a um acordo sobre a permanência de soldados americanos a partir de 2015. Os EUA exigem imunidade legal para suas tropas, rejeitada pelo Afeganistão. O governo americano estima ser necessário manter entre 3 mil e 15 mil soldados no Afeganistão para ações de contraterrorismo. Em 2010, mantinha 100 mil militares no país.

"Ele basicamente tem um ano para grandes feitos legislativos, porque depois do primeiro ano você entra nas eleições do meio do mandato, que serão parcialmente um referendo sobre a sua presidência", disse Michele Swers, professora da Universidade Georgetown. / COM REUTERS

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