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Obama traça plano para uso de tropas terrestres contra o Estado Islâmico

Presidente norte-americano ainda busca apoio dentro do próprio partido para autorizar envio de soldados para combater o grupo 

WASHINGTON , O Estado de S.Paulo

11 de fevereiro de 2015 | 02h08

Assessores do presidente americano, Barack Obama, discutiram ontem com parlamentares um plano elaborado pela Casa Branca para autorizar a ampliação dos esforços militares contra o Estado Islâmico (EI) no Iraque e na Síria. Obama pretendia apresentar nesta quarta, 11, ao Congresso um pedido para que tropas terrestres também participem do combate direto aos extremistas. A negociação deve levar à primeira votação sobre guerra no Congresso em 13 anos.

No mesmo dia, os pais de Kayla Mueller, voluntária americana sequestrada pelo Estado Islâmico, e Washington confirmaram a morte dela. O comunicado da família Mueller foi divulgado quatro dias após o grupo extremista afirmar que Kayla, de 26 anos, foi vítima de bombardeios conduzidos pela Jordânia na semana passada.

A Casa Branca e a família não deram detalhes sobre como conseguiram a confirmação. Um funcionário do governo, que não quis se identificar, disse à emissora NBC News que "fotografias enviadas por e-mail" levaram a família de Kayla a concluir que ela estivesse morta.

"Nossos corações estão partidos em compartilhar que recebemos a confirmação de que Kayla Jean Mueller perdeu sua vida", escreveram os pais, Carl e Marsha Mueller, que vivem em Prescott, no Arizona. "Somos tão orgulhosos da pessoa que Kayla foi e do trabalho feito por ela enquanto esteve entre nós. Ela viveu com propósito."

O presidente americano disse que os responsáveis pela morte da americana serão julgados "sem importar o tempo que isso levará". "Kayla representa o que há de melhor nos EUA. Ela expressou seu profundo orgulho pela liberdade que nós, americanos, desfrutamos e tantos outros pelo mundo lutam para ter", declarou Obama.

O porta-voz da Casa Branca, Josh Earnest, explicou que o material recebido pela família Mueller, analisado pela inteligência, não deixa claro como ou quando Kayla foi morta exatamente. Ele afirmou ainda que não havia evidência da presença de "civis na área prioritária de ataques conduzidos pela coalização internacional". Segundo Earnest, haveria ao menos mais um refém americano com o EI, mas ele não deu detalhes.

Os EUA lideram uma coalizão internacional, da qual a Jordânia faz parte, para combater os militantes islâmicos na Síria e no Iraque. As operações, até agora, consistem em bombardeios aéreos contra alvos do EI. No entanto, Obama afirmou em algumas ocasiões que consultaria o Congresso para uma Autorização para o Uso da Força Militar (AUMF, na sigla em inglês), que implicaria em enviar soldados para os combates.

Ontem, o conselheiro presidencial Neil Eggleston e o chefe de gabinete Denis McDonough se reuniram com senadores democratas para discutir o plano para pedir a autorização ao Congresso. Fontes da Casa Branca afirmam que o governo democrata quer alcançar um acordo com os republicanos e um consenso bipartidário.

Congressistas disseram ontem que esperam um esboço da Casa Branca para hoje com, pelo menos, as linhas gerais do que quer a administração. Earnest confirmou que um texto preliminar deve ser concluído esta semana, sem dizer o dia.

Uma das principais preocupações da presidência, de imediato, é encontrar um meio termo que satisfaça os democratas, que se opõem ao envio de soldados americanos por terra para lutar contra o EI, e os republicanos, que querem ao menos deixar essa possibilidade em aberto. Republicanos controlam a Câmara e o Senado, mas Obama também precisará do apoio dos democratas para aprovar qualquer legislação.

Congressistas consultados nos últimos dias disseram que Obama espera obter uma autorização de pouco tempo, talvez três anos, o suficiente para durar até o fim de seu mandato. Falando à agência Associated Press, eles disseram ainda que o objetivo da proposta é exclusivamente lutar contra os combatentes que querem impor um Estado islâmico na região. "Independente de quem seja ou que nome tenha", disseram, em anonimato. / NYT, AP e REUTERS

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