Obama traz de volta a segurança nacional como tema de campanha

Democrata pretende aproveitar apoio de Colin Powell para melhorar sua imagem também em política externa

REUTERS E AP, O Estadao de S.Paulo

23 de outubro de 2008 | 00h00

O candidato democrata à presidência dos EUA, Barack Obama, recolocou a segurança nacional como tema principal da sua campanha. Após se reunir ontem no Estado de Virgínia com sua equipe de campanha e com Joe Biden, vice de sua chapa, Obama disse que o assunto não pode ser tratado em separado da economia."Não podemos nos dar ao luxo de ter outro presidente que ignore completamente a economia, gerando um déficit recorde para manter uma guerra sem fim no Iraque", disse o democrata. "Aparentemente, o mundo não parou só por causa da campanha americana. Por isso, não podemos deixar de lado assuntos urgentes, como a luta contra o terrorismo, o crescimento da China e as duas guerras em que estamos", acrescentou. POWELLA apenas duas semanas das eleições, Obama tenta tirar proveito do apoio recebido no domingo do general da reserva Colin Powell, que foi secretário de Estado do presidente George W. Bush. O apoio foi considerado um golpe para McCain exatamente pelo aval de um militar experiente à candidatura do rival.A mudança de enfoque ocorre também depois que o democrata conseguiu se consolidar na liderança das pesquisas de intenção de voto em razão da crise financeira. Para a maioria dos americanos, ele é mais bem preparado em questões econômicas do que McCain. A único vantagem do republicano, até o momento, parece ser a política externa. Recolocar o assunto na campanha, de acordo com analistas, é uma estratégia de Obama para tentar rebater o argumento de que ele não tem experiência suficiente para ser comandante-chefe do Exército americano. ATAQUESEnquanto isso, na Pensilvânia, McCain voltou a atacar a política externa de Obama. Procurando algum deslize do rival para subir nas pesquisas - ontem ele permanecia cerca de 7 pontos atrás -, ele disse que a presidência dos EUA não é lugar para alguém "inexperiente". "O próximo presidente não terá tempo de se adaptar ao cargo", disse o republicano. "Eu já fui testado."McCain criticou também comentário de Biden, que na segunda-feira disse que "Obama será testado em menos de seis meses". "Levará menos tempo do que John Kennedy com a Crise dos Mísseis", disse. Os republicanos têm tentado mostrar que nem o vice de Obama acredita que ele está pronto para assumir o cargo. Ontem, Obama brincou ao ser questionado sobre a declaração de seu companheiro de chapa. "Às vezes, Biden usa uma retórica um pouco floreada demais. O que ele quis dizer, porém, é que o próximo governo será testado de qualquer maneira, não importa quem assuma."

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